quarta-feira, 30 de junho de 2010

Oráculo // Mitologia Lógica

Era quem dava os nomes aos mortais daquelas terras.
O nome não era dado à sua escolha, mas sim do universo.
O Oráculo batisava as crianças de acordo com o destino que ele via em cada uma e o que ouvia do universo, de acordo com o que faria cada uma ser lembrada.
Isso explica o nome do local onde o Oráculo tem que viver: as "Cavernas do Destino".
Era um lugar onde se ouvia sons estranhos que diziam ser os suspiros do universo.
Toda criança nascida naquela parte do Mundo tinha que nascer nas cavernas para ser livre.
Quando isso não acontecia não se conseguiria saber o destino da criança e ela era enviada para o "Vale Sem Nome".
Nesse vale, além de crescerem as crianças não batizadas, viviam aqueles cujos destinos eram considerados muito cruéis pelo Oráculo. Não lhe eram revelados seus nomes para que não tentassem evitar o que foi previsto.
O vale era um lugar onde cada um escolhia seu próprio nome.
Com ou sem destino.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Princesa // Mitologia Lógica

Era um sorriso em meio aos porcos.
Uma sutil mistura entre esperança e arrogância.
Mas quem iria culpá-la? Seu nome a remetia a isto.
Vivia da esperança de conseguir um príncipe ou algo do tipo.
Princesa era bela e tratava a todos bem.
A arrogância surgia apenas quando Esperto estava por perto.
Não fazia sentido um casal entre um membro da nobreza e um "esperto".
Ela até sentia alguma simpatia pelo fracassado rapaz que com suas promessas e propostas, arrancava alguns sorrisos.
Mas os sorrisos eram apenas pela graça e persistência de Esperto.
Não tinha interesse.
Princesa aguardava paciente e feliz seu destino.
Se o oráculo lhe deu este nome, é para que este seja seu destino.

sábado, 26 de junho de 2010

Esperto // Mitologia Lógica

Sempre com pequenas mentiras e aquele sorriso no rosto.
Era simpático, gentil e normalmente era descoberto.
Tinham conhecimento de suas tramóias mas ninguém o julgava mal.
Sabiam de seu bom coração e de sua fraqueza pela donzela chamada Princesa.
Princesa era doce e humilde. Ainda não fazia juz à sua graça, mas sabia que naquelas terras o nome é o destino. Sendo assim, esperava ser uma princesa um dia.
Esperto ainda tentava descobrir o porquê daquele nome pois nenhuma esperteza que ele tentava dava certo. Vez ou outra podia-se ouví-lo dizer: "Eu deveria me chamar Fracasso, pelo menos eu não vivia com esperança alguma".
Mas nem por isso ele deixava de tentar ou sorrir pois fazia parte da religião daquelas terras.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

O expresso

Não estava sempre por lá, mas passava frequentemente para qualquer um que precisasse.
Mas sempre deixavam pra última hora, pro último horário, a última volta.
E eu já me perguntava: "Será que não vai mudar?"
Se acaso um dia resolve mudar sem aviso prévio, como saber qual o último horário?
E se ficasse esperando e esperando, e tenha acontecido alguma coisa?!
E se tivesse encontrado destino melhor?
Uma rota mais curta pra uma cidade mais bonita e mais acolhedora.
Eu nunca vi a placa de destino.
Mas não creio que vá sair dos trilhos, dá pra encontrá-lo facilmente.
Por mais longe que esteja, basta seguir os trilhos.
Há quem diga que o maquinista não o controla...
Então quem o faz? Pra que está lá?
Só para alimentar as fornalhas?
Não faz sentido... Por que alimentar algo que não se pode controlar?
...
Não entendo como ainda embarcam nessa loucura.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Paranóia

É a alma!!!
Eu tenho certeza!!!

Tinha várias formas para fazer isso mas foi decidir a mais óbvia.
Será que é tão ingênua assim?
Ou será que já tinha planejado tudo?
Pensando bem... Não foi tão óbvio assim...
É como se estivesse me ameaçando com várias armas e de repente me entregasse uma caixa de presente.
Como abrir com a certeza de que é uma trégua e não uma bomba?
Eu não teria feito melhor.
Agora estou aqui, pensando se abro ou não o suposto "presente".
Já passei por isso e teve resultados drásticos.
Será que sabia meu ponto fraco e resolveu explorá-lo?
Improvável, mas não impossível.
Eu poderia agradecer, dizer que gostei e dar uma caixa de presentes também.
Sem nem mesmo abrir a minha! Assim ela saberia o terror que vivo!!
Mas...
Será que eu coloco uma bomba ou um presente?!
E se ela for realmente tão ingênua e abrir meu presente sem pensar?!
Se for uma bomba eu vou estragar tudo...
Se for um presente, ela talvez goste, ou ache estranho.
Se achar estranho é porque era uma armadilha, de fato!
Acho que vou retribuir com um futuro e parar de pensar no passado.
Vou abrir meu presente de vez.
Não há de ser nada que eu não dê conta.