domingo, 30 de janeiro de 2011

Mártir

Você caminha em direção aos furacões gritando:
"É o meu destino! É assim que tem que ser!!!"
E os raios que a tempestade traz, parecem desviar de você.
Os destroços que voam com o vento, quase te atingem.
Parece que o próprio mundo já se cansou de ser piedoso.
Trouxe a tormenta dos céus para que te levasse.
Já que a fúria dos homens não conseguiu te parar.
E você, sem hesitar, enfrentou!
De espada e escudo empunhados, caminhou em direção a seu destino.
Como se já soubesse de tudo...

"Por todos os vermes que me desafiaram e
por todos os erros sem arrependimento.
Me declaro um mártir da bravura.
Se o vento veio me buscar e a chuva veio assistir,
não devo recusar um desafio feito a mim.
Me sinto honrado por tê-los como desafiantes.
É o meu destino! É assim que tem que ser!!!"

O vento então te consome e você é tirado do chão.
Perde a base pros golpes da sua lâmina,
mas nem por isso põe o escudo em frente ao rosto.
Se debate na tentativa de vencer a natureza.
Pois se a bravura te fez forte,
talvez ela te também te faça divino.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

o dilema do copo d'água

Prendo a respiração, desligo tudo... e nada.
Fecho os olhos, apago as luzes... e nada.
Nada além dos sons do mundo ou de seus habitantes.
O universo já não te manda mais sinais...
E eu me pergunto:
"Porque?"

É claro que eu sei a resposta.
Ou melhor, as respostas.
A pessimista me diria que eu perdi o dom,
que criei uma carapaça e perdi a sensibilidae.
A realista (aos olhos do mundo),
me faria dizer que era tudo coisa da minha cabeça,
frutos da minha tristeza e da vontade de ser diferente.
Mas a otimista me faria acreditar que ainda tenho o dom,
que sempre tive e nunca perderei.
E que se não vi sinal nenhum é porque estou em tempos de paz
e que não há nada para ser visto.