terça-feira, 27 de março de 2012

O barco fantasma

Navega sem âncora, sem medo e sem destino.
Sem nada a perder, desafiando recifes e canais estreitos.
O casco é remendado, assim como as velas.
Não fosse o formato e a capacidade de flutuar, seria uma grande pilha de lixo.
É fácil encontrá-lo numa praia qualquer.
Não faz questão de sair ou de ficar...
Vai no chamado da primeira onda ou na ressaca do mar.
Dizem que é um navio fantasma, mas eu não acredito.
Quem é que conserta as velas depois de cada tempestade?
Quem é que remenda o casco com restos de caixas?
Alguém que não quer que afunde... por mais deplorável que seja seu estado.
Um capitão que decidiu passar pelas maiores dificuldades com a pior ferramenta que se possa utilizar.
Para que o fracasso seja sempre iminente e mesmo assim, seja vencido.
Desvaloriza o prêmio para que não sinta falta se perder.

terça-feira, 13 de março de 2012

Maldita Estrela

Ela não precisa de céu.
Não precisa nem brilhar.
Então porquê a chamo de "estrela"?
Ah é! Lembrei!
Porquê ela não quer vir pro meu mundo!
Quer me iludir com os sorrisos que eu a ensinei a sorrir.
Porquê não é, de fato, uma estrela.
Eu sou seu Sol e a faço brilhar.
Não quer também se afastar porquê sabe o que acontece.
Ninguém enxerga o que está longe demais da luz.
Longe de mim tudo é escuro.
Mas longe dela eu também apago.
Maldita estrela!