terça-feira, 23 de novembro de 2010

Por fora

Quando o tempo já castigou o suficiente, e não existe mais pose a ser mantida,
eles surgem em meio aos rostos cansados.
O silêncio da sua força ecoa entre as reclamações e pedidos por coisas melhores.
Deformados, sujos e firmes.
É como se fossem feitos de ferro.
E olhar pra eles passa segurança, nos faz pensar que podemos ser fortes também.
Não digo que somos como eles, mas podemos ser tão fortes quanto.
E a vontade de lutar que existe dentro de cada um se aflora, como se só precisasse de um exemplo.

Por dentro

A primavera nunca foi tão longa.
Eu acho que aprendi a odiar flores.
Eu preciso é de tranquilidade e um pouco de paz.
Mas como eu posso querer isso quando tantos precisam se levantar?!
Ainda não acabou e eu tenho que dar um jeito de mostrar isso a todos.
Como?
Talvez eu não precise demonstrar exatamente força ou ser um herói.
Talvez eu só precise ficar parado e não reclamar.
Porquê eu?! Pode ser qualquer um...
Eu só sei que reclamar não muda o quadro.
Eu só descanso quando tudo estiver bem.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A lenda

Eu gostaria de ser tudo que dizem de mim.
Grandioso, forte, bondoso e belo.
Mas sempre que ouço de meus feitos, percebo que aumentaram muito das histórias.
Isso sem falar nas que inventaram...
Mas eu não tenho coragem de desmentí-las.
Quando me vêem fazendo algo me reconhecem, a descrição dos bardos vai um pouco além dos meus atributos. Mesmo assim alguns reconhecem.
Mas quando estou em meus momentos de paz, passo desapercebido.
É incrível como ninguém sequer me nota. Há até quem me destrate!
Só que se já me viram e nunca corrigiram nada até hoje, quem sou eu para fazê-lo?!
Isso acontece por algum motivo.
Pode ser que quando eu esteja em frente ao perigo, eu cresça e vire isso que todos falam.
Ou esse povo pode estar precisando urgentemente de um herói.
Deixa que digam, acho até bom poder passar desapercebido.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A farsa

Eu digo que são personagens, na esperança de que sejam de verdade.
Faço pensarem que não sou eu e que é tudo inventado.
Mas quem lê percebe, que não dá pra inventar aqueles sentimentos, que eles existem de verdade.
Vai além daquela coisa de poeta que finge o que sente.
Não tem como fingir essas linhas.

O seu mundo é o palco da minha farsa.
Palco das minhas máscaras e minhas mentiras.
Mas eu sou fiel ao papel e vou seguir com ele até o fim.
O meu mundo é feito de palavras e tudo que elas criam.
Eu só precisei esperar uma chance para crescer dentro de uma marionete, um fantoche.
Nossos personagens são o que gostaríamos de ser não é mesmo?!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A máscara de sombra

Você sempre o vê por aí mas nunca repara.
Você acha graça do sorriso, da simpatia, das palavras bem ditas e colocadas...
Mas e os olhos? Você consegue lembrar dos olhos?
Agora que me dei conta disso... eu também nunca consigo lembrar.
Eu conseguiria descrever todo o resto com absoluta certeza e segurança, menos os olhos.
Existe uma sombra que os cobre, é como se sempre estivesse em um ângulo de luz que permitisse isso.
Mas acho que é impossível. Deve ser coisa da nossa cabeça.
Como poderia haver alguém que cconsegue esconder os olhos sempre?!
Quando ele estava triste eu não lembro de ter visto seus olhos vermelhos.
Quando ele tinha sono eu nunca reparei nas olheiras.
Tem algo de errado... Como aconteceria uma coisa dessas?
É como se fosse uma máscara feita de sombra...
Isso só seria possível se ele tivesse uma fonte de luz acima da cabeça.
Uma lâmpada, uma tocha... uma auréola...