sexta-feira, 23 de abril de 2010

A moça dos meus sonhos

Ela ri pouco e parece ser bem tímida
Em cada sonho ela tem uma aparência diferente mas...
de alguma forma eu sei que é sempre ela
O sorriso é sempre o mesmo, bem discreto
Usa vestidos de primavera ou casacos de inverno
tem um olhar de outono e não tem verão.
Ela é sempre diferente apesar de metódica
Sempre anda do mesmo jeito, sempre em minha direção
Ela tem o nome que eu nunca lembro, ou esqueço de perguntar.
Também não lembro a voz, apesar de eu ter acabado de acordar.
Sempre educada, sempre indireta
mas como é meu sonho, então eu entendo.
Eu a vi pela rua algumas vezes.
Iguais ao sonho do dia, mas diferentes do dia seguinte.
Queria lembrar o nome, ou pelo menos a voz pra ter certeza.
Pra poder dizer que a inventei ou que a previ.
Não precisaria existir de fato.
Bastaria não fugir toda vez que eu abro os olhos.

sábado, 10 de abril de 2010

Vítima

A verdade amarga ou a doce mentira?
A resposta pode não ser tão lógica ou clara...

"É mentira?
É ilusão?
Não!!! Não pode ser!
O que poderia querer de mim?
O que eu poderia ter a oferecer?
É tolice gostar de ser tratado bem?!
Então me chame de tolo.
Cansado da indiferença, sedi a doces palavras.
Exausto da solidão, aceitei a compania.
Tudo foi por interesse?!
...
Então que assim seja. Afinal, as amizades não surgem por interesse?
Diversão, troca de favores, apoio nas horas difíceis, etc...
Os romances também. Surgem por interesse.
A beleza do troféu, as qualidades, proporções, formas, etc...
Se eu puder pagar o preço, pagarei.
Me chame de vítima se quiser.
Eu escolhi essa situação."

E segue na condição que muitos julgariam anti-ética.
Mas não está cego.
Talvez até esteja enxergando além do óbvio ou do lógico.
A sensação vai fazê-lo justificar tudo.
Já não importa se é real.
Não há nada que se possa fazer.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Autogenese

Era o que ninguém via no "nada"
Sabem que está lá mas ninguém conseguiria provar
Sem forma, sem vida, sem corpo
Vivo? Morto? Ausente? Nada?
E então ele se cansou...

Era a ira que agia sob a resistência que o universo lhe colocava
A vontade de existir!
A pressa de sentir!
A agonia de não ser nada!
Força sem músculo ou teoria.
Pura e inexplicável energia

E então numa batalha contra os elementos:
Um tom crescente anuncia sua vinda,
uma música de uma nota só.
Um toque num diapasão.

"Olha!!! Está quebrando as leis da física,
está desrespeitando as religiões!
Alguém pare a autogenese!"

Eis que ninguém conseguiu parar a vontade de existir daquilo.
Que com a mesma intensidade que surgiu, sumiu.
Não era profano ou divino.
Era um ser. Simples e sem justificativa.
Não se sabe se sentiu alguma coisa.
Mas existiu.
Piscou nos olhos de quem presenciou.
Chorou aos ouvidos de quem ouviu
E quem viu entendeu
que mesmo sendo invisível e incalculável
pode-se sentir e talvez exista
Vago e sem explicação,
mas nem por isso ausente.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

A pedra

É calmo e mal educado
Não se esforça mais, perdeu os princípios
Perdeu as asas, não consegue voar
Não sei como ainda se aguenta em pé
E carregando aquela pedra...
Sempre carregando aquela pedra
Não diz sequer onde está indo
Não quer que ninguém o ajude com o caminho
Bobo, orgulhoso
Se alimenta de distrações
Se sacia com momentos
Deve ter perdido algo muito importante em algum momento
Ou deve ter achado aquela pedra e está procurando a montanha que a perdeu
Ou ainda só queira ficar mais forte
Deve ter muitas ilusões, delírios, pois está sempre a sorrir enquanto ninguém o incomoda
Talvez até mesmo converse com aquela pedra, não subestime a insanidade
Mas quem garante que ele não seja mais feliz do que qualquer outro aqui
Se só o que precisa é de ilusões e algo para apoiar a cabeça
Algo sólido e forte, um travesseiro tão concreto quanto as palavras podem descrever
...
Mas enfim... o que quer que seja aquela pedra
É o que separa aquele sorriso sem sentido nenhum das hipóteses pensantes que faço
Ele responde sem medo... e não o julgam de forma alguma
Aquela pedra...
Talvez eu precise de uma
Uma desculpa pra não seguir regras.