terça-feira, 24 de março de 2009

Um novo amanhecer.

Enfim o sol surge no horizonte e acaba com a noite que parecia não ter fim.
No começo os olhos doem e você, acostumado com o escuro, pensa que seria melhor se continuasse daquele jeito... não demora e você muda de idéia.
Você lembra das cores e do calor aconchegante dos verões.
O mar gélido de outrora agora abre os braços para que se refresque.
É como se o mundo fosse seu novamente.
Como se as rimas tivessem medo do escuro.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Mais forte do que pensa ou parece

Costuma-se temer os limites.
Temer sem nem mesmo conhecê-los.
Talvez por medo de ultrapassá-lo e haver alguma consequência.
Mas a margem de segurança te fragiliza e te faz ter cada vez mais medo.
Aí então você imagina limites tão próximos que passa a dar cada passo com uma cautela absurda, porém segura (deveras segura).

Até que um dia você e os seus limites, de qualquer natureza, são postos a prova.
Então você vai ultrapassando uma a uma das barreiras que pôs em suas resistências, forças e emoções.
E se descobre forte. Tão forte quanto nunca havia imaginado.
Como?
Seguindo em frente depois de qualquer situação.
Porque?
Porque você não terá escolha.
Aí você percebe que não é feito de vidro, e que carne e osso podem aguentar muita coisa antes de perecer.

Aí você veste seu sorriso mais sarcástico e seus óculos escuros.
E pede um pouco mais.
Porque?
Porque você gostou da sensação de superação.
Porque você achou maravilhoso ver suas próprias feridas se curarem.
Porque quando a dor para você enxerga tudo com outros olhos.

terça-feira, 17 de março de 2009

As minhas e as suas cores

Umas pinceladas de rebeldia verde em um fundo de princípios cinza.
Ou ainda um acabamento de bondade em um quadro de inveja com uma moldura fina e cínica.

Sua máscara de papel machê é bem decorada com seus apetrechos e pintura apropriada.
Colocada com o maior cuidado possível pra que pareça seu rosto de verdade.
Você sabe que ela vai desmanchar quando você cair, que não vai ter jeito de esconder o que se passa em volta dos seus olhos.
Seu sorriso a deformará e suas lágrimas mancharão sua pintura...
Você sentirá uma liberdade agressiva e se sentirá vulnerável a julgamentos...
Incomodará no começo.
Quando você se acostumar, sorrirá como jamais sorrira, seu pranto não será mais silencioso e chamará a atenção daqueles que se preocupam com você.
A máscara tinha um defeito: também cobria seus olhos.

Uma vez destruída, você verá as cores que nunca tinha visto.
Primeiramente as cores que te cercam, até você encontrar um espelho em uma parede ou armário qualquer.
Suas próprias cores te surpreenderão.
Mas na condição de "tela mal-acabada ambulante", você se sentirá incompleto e procurará as cores que preenchem os espaços em branco.
Vai testar tons de azul, vermelho, verde, laranja, rosa...
A cada erro, terá que esperar a tinta secar antes de pintar algo novo por cima.
Borrões seriam desagradáveis.
Até achar o tom certo da cor que melhor te completará.
E vai se retocar quando o ambiente pedir, quando alguma cor desbotar.
E quando alguém esbarrar e te manchar de alguma cor qualquer...
talvez você até goste.

sexta-feira, 13 de março de 2009

As emoções misteriosas e a palidez

É incerto até o último momento.
E mesmo no último momento ainda existe uma incerteza,
mas mesmo assim você confia. Uma coisa tão misteriosa quanto as emoções te faz confiar.
A expressão confiante e o final feliz faz parecer que tudo ocorreu como o planejado.
Mas se você pudesse deixar a emoção do momento de lado por um instante, perceberia algo interessante.
Está pálido e ofegante, aliviado e ainda sobra um pouco do susto e da emoção do embate.
Embate, ou discussão, apresentação, decisão, luta, guerra, assassinato, massacre, nascimento...
Qualquer coisa que só será decidida na hora H será munida dessa peculiaridade, que aproxima os heróis dos humanos.
Mas você sabe em quem confiar na hora certa.
Não faz a mínima idéia do porquê... mas sabe.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Os olhos fortes

As marcas que o tempo deixa,
a vida que o vento leva,
o gosto que fica na boca.

Quem vai parar a máquina que trabalha sem porquê?
Você vai tirar o fôlego daquilo que nunca cansa?
Vai parar a bala com a vida? a faca com os dentes? a bomba com a voz?
Talvez ninguém faça nada.
Mas olha lá...
Olha no fundo daqueles olhos.
Sem medo,
sem desespero,
parece que tem algo em mente,
parece que está esperando alguma coisa certos do que virá,
certos de que verão.
Sorrindo diante a situação,
como se aquilo fosse o prelúdio de algo magnífico.
Se aqueles olhos não são os de quem irá mudar tudo,
com certeza eles sabem quem o fará.

sábado, 7 de março de 2009

O sorriso conformado

Depois de algum tempo resolvi voltar aqui.
E agora eu percebo que o espaço em branco já não me deixa tão a vontade como antes. É como se eu estivesse sendo desafiado, posto a prova... mas por quem??? Por mim mesmo?
Eu não costumo ser exigente.
Mas existe a primeira vez pra tudo e não vou questionar o que de fato está acontecendo (já estou questionando).
Um desafio pra mim mesmo... Interessante.
Eu dou as regras, eu as cumpro ou não, eu já até escolhi o cenário do desafio.
E confesso estar um pouco aterrorizado com a situação que, apesar de nada grave, tem certa importância pra mim.
O cientista é a cobaia e o médico é louco.
Eu abandono isso de uma vez na primeira oportunidade.