sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Midas

Aquela pedra que você vê no chão e não sabe ao certo o que é...
Você vai até ela, a olha de mais perto, admira o brilho e acaba gostando.
Cuida dela, acaba percebendo uma coloração interessante, uma reação quando a luz incide.
Não pergunta às pessoas o quanto aquilo pode valer, pois talvez não tenha valor de verdade.
Mas tem valor para você.
Foi você que soube sentir que aquela pedra, no meio de tantas outras, tinha brilho.
E não importa se é um minério raríssimo e valioso ou apenas pedra de aquário.
É o que você carrega em seu amuleto, o que vai te dar sorte.

Não é que tudo que eu toco vira ouro...
No meu ponto de vista, passa a ser bem mais valioso que isso.

Já aquela pedra preciosa que você luta tanto para ter, só para mostrar pros outros o quanto tem sucesso...
Serve de quê?!
Não foi você que a achou, não foi você que a descobriu, que a conquistou...
Quanto vale o que não se conquista?

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O antropófago

Eu vou fazer a barba, cortar o cabelo, vestir roupas neutras e falar de forma polida.
Vou ler livros de grandes escritores e pensadores.
E caso alguém caia no erro de discutir comigo, eu parafraseio algum filósofo.
Criarei devaneios e olharei para o horizonte repetindo uma frase que eu digo ser "misteriosa" por não ter entendido muito bem.
Citarei frases em latim que eu decorei de um velho livro de algum escritor mais velho ainda.
Falarei sobre a beleza das línguas através de idéias que não me pertencem.
Idéias que eu gostei de ler, que me agradaram.
Terei uma visão política, defenderei um partido político.
Mas apontarei algum erro nas pautas, para não parecer totalmente dominado.
Escreverei textos misturando estilos de escritores e pensadores, com uma originalidade tão questionável quanto o meu neologismo.
Serei um buraco-negro de conhecimento alheio.
Admito ser um viciado em cultura e classe. Um usuário.
Espero enganar alguém com a minha salada de estilos.
Pois nada aqui é meu.
"Nada se cria, tudo se transforma".

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Ultra Drama

É a loucura sem limites!
A criatividade mais trágica e melancólica que a noite já viu.

"Enquanto todos dormem, eu penso em coisas que não devo.
Minha cabeça vaga pelo caminho mais curto que a possibilidade lhe dispõe:
A tragédia!
Todos os sentidos se distorcem e eu sei que tudo vai dar errado!
Que essa parte do meu mundo está prestes a ruir e não há nada que eu possa fazer.
Mas eu me desespero mesmo assim.
Eu nego, não aceito, e vou continuar sem aceitar.
Porquê é tudo minha culpa e eu deveria ter sido melhor."

Mas tudo acaba quando eu acordo.
Tudo está no lugar novamente, e eu sinto que vai dar certo e que foi só um sonho ruim.
A alma é acalentada novamente por aquelas esperanças que pareciam perdidas.
Chega desse drama.

domingo, 20 de novembro de 2011

Freio

É empolgante, excitante, ludibriante...
Mas se não for algo que você possa fazer sozinho, de nada adianta a pressa.
Somente irá te atrapalhar, precipitar seu julgamento e não haverá escolha sábia.
Dependerá do acaso, da sorte, ou de qualquer que seja sua crença.
A razão é lenta e não conseguirá te acompanhar se você estiver muito rápido.
Então, use os freios de vez em quando!
Pare, peça conselhos pra razão, volte a correr, mas use os freios ao se sentir perdido.
Pois você consegue olhar para os sentimentos alheios e pensar calmamente.
Mas quando é você a sentir, tudo fica confuso...
Aquele momento em que você perde o controle e faz uma manobra errada.
Atropela os princípios e assusta todo mundo...
Poderia ser evitado se você tivesse usado o freio.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Força

Cuidado com o que pensa!
O que você chama de "possibilidade" pode virar "realidade".
Mas não por chance ou acaso... mas sim porque você pensou.
Entenda que tem que manter a calma mesmo nos piores momentos.
Que o medo não te alcance para te dar o pior que existe em termos de pensamentos.
Que o zelo consiga te dar confiança e o apego seja mútuo.
Que os detalhes estejam a seu favor e não exista suspeitas.
Sua paisagem é você quem desenha.
Você é o que pensa que é!

A mente mais forte é a que rege o mundo!
Se você não acredita nisso, viverá no mundo de quem acredita...

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

As velhas formas...

Cinco pontas sem tirar o lápis do papel.
Duas pontas que apontam pro mesmo lado, uma pra dentro, outra pra fora.
Você aprendeu que é assim, e não negou.
Afinal, não é assunto importante...
Pouco importa a forma ou o símbolo.
O número de pontas ou a pressão sanguínea.
Se a luz é amarela ou branca.
De alguma forma, estão relacionados...
Talvez pelos mistérios ou pela falta de conhecimento sobre ambos os assuntos.
Talvez pela falta de sentido.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Medo

Quando eu paro pra pensar, era bem fácil...
Sempre tinha alguém pra chamar quando surgia alguma encrenca.
Alguém pra pedir ajuda quando queria algo mais difícil.
Pra alcançar a última prateleira.
Consertar aquele carrinho que eu estraguei sem querer.
Colocar rodinhas na bicicleta.
Pedir dinheiro pra comprar meu violão.
Me buscar na escola nos dias de chuva ou quando eu saía pra encher a cara.
Pra duvidar de mim e depois se encher de orgulho.
Ou duvidar de mim e descobrir que estava certo.
Alguém que não aguentava me ver sem fazer nada.
E não aguentava ficar sem fazer nada!
Que me dava bronca quando passava o dia inteiro na frente do computador.
Aquela pessoa que me mostrou como ser merecedor.
Quem me fez entender que orgulho é maior e menor.
Provou que o trabalho dignifica o homem.
E que de certa forma, sabia que eu não entenderia se ele tentasse me explicar.
Pulou a teoria e se fez exemplo vivo de tudo que eu vi e aprendi.

Ele não me explicou o que era medo.
Mas eu dizia que sentia, pensando saber o que era.
Agora eu sei o que é, mas não vou dizer que sinto.

domingo, 18 de setembro de 2011

Antes de dormir

É um conto de fadas sem magia e sem fada.
Com o final incerto...
Apesar de tudo, é uma boa história pra ser contada antes de dormir.
Uma história longa, que ninguém te diz o final.
Te resta apenas imaginar como irá terminar...
E não adianta você perguntar para alguém, nem tente.
É totalmente diferente para cada um.
Talvez saber de outra história te faça mudar o rumo de sua própria.
Aceita que é diferente.
Começo, meio, fim...

E enquanto ouve, você não liga se é real ou não.
De repente, tudo que importa é a sensação.
A embriagues e a liberdade...
A verdade já não importa mais.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Sintoma

E o pensamento já é quase que onipresente...
Vai por vários caminhos, cogita tudo e tenta planejar algo.

Com a calma de quem entrou em tempos de paz.
Sereno como quem não tem por onde sofrer.
Não que vá procurar algo para se machucar, só não se acostumou com a tranquilidade.
Parece que quando encontrar um espinho ou um caco de vidro,
tirará os sapatos e pisará com força suficiente para que comece a sangrar.
No mínimo a sangrar!
Nem que seja apenas para mostrar quanta dor pode se suportar até que surja uma lágrima.
Para mostrar aos que choram ou reclamam à toa que a vida não acaba com uma dor.
E que uns e outros entendam que conseguimos aguentar o que mandarem e que não existe motivo para desistir.
Há quem veja a dor como algo de errado.
Eu vejo como um sintoma da vida.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Fogo

"A brasa que agoniza enquanto se desfaz, te queima sem precisar te tocar."



Depois que surge a fagulha, letra por letra, o fogo se alastra.
Ele precisa de um combustível.
Ele precisa de um meio.
A chama queima por onde pode, pelos tecidos, sentimentos, papéis, lembranças...
E destrói rapidamente o que há de mais frágil e que serve só para beleza:
as roupas, os sapatos, os sorrisos, as cortinas, os olhares, a mobília...
Quando por fim, alimentada por tudo que já consumiu, encontra força para destruir o que te sustenta.
A chama sobe pelos princípios e chega até o teto.
O telhado sucumbe lentamente, há muito para ser queimado.
Suportam os dias quentes, mas não aguentam todo esse fogo.
Então são cinzas, o que já foi um sonho inteiro.
Daquela bela casa, ficou apenas a fundação.
Pronta para ser base de outro sonho...

Em pensar que tudo começou com uma fagulha no lugar errado...

terça-feira, 12 de julho de 2011

Guerreiro

Começou se defendendo, seguindo o instinto.
Se protegeu dos golpes e tentou proteger aqueles que amava.
Ficou forte para que conseguisse passar mais segurança pra quem o via.
Foi ferido.
Os cortes e lesões viraram cicatrizes e sequelas.
Teve que aprender a lutar com as suas limitações.
Se antes tinha medo, hoje é calmo.
Não fica mais nervoso, pois sabe que a fúria cega.
O sangue ferve frio durante um confronto.
E você vê um guerreiro que sabe exatamente porque luta.
E o enxerga como se fosse o corpo todo protegendo o coração.
Se o coração for ferido, o corpo para.
Sem motivação pra continuar.

domingo, 10 de julho de 2011

O meio

Só pode ser isso!
A realidade que eu crio através de planos e imaginação, nunca acontece.
Meus maiores medos também nunca se concretizam.
Quando eu crio algo em minha cabeça, essa coisa não vai pro mundo.
Tanto as tragédias quanto as belas histórias...
Parece que ao serem imaginadas, a carta da possibilidade delas acontecerem é tirada do baralho do destino.
É como se aquilo só precisasse existir uma vez.
Como se só pudesse existir uma vez.
Essa foi a forma que o universo encontrou de equilibrar as coisas.
Nada de gravíssimo acontece, mas as vontades mais intensas nunca se concretizam.
Eu fico preso nessa meia-intensidade, vivendo o que passa pela minha cabeça e eu não dou valor.

Vontade e medo...
Eu diria que são a mesma coisa, se conseguisse.
Eu preciso aprender a driblar isso.

sábado, 9 de julho de 2011

Chamado

Acabou a diversão!
Tentei ser educado mas você fez corpo mole e fingiu que não ouviu.
Quem você pensa que é para me ignorar?!
Eu sou maior que você.
Eu sou mais forte que você.
Eu faço o que eu quiser da sua vida!
Então é bom que você me ouça e volte a escrever melhor do que nunca.
O que acontece se você não fizer isso?!
Não queira nem saber!
Eu, sinceramente, não tenho nada em mente no momento.
Pois não me passa pela cabeça a possibilidade de você me desobedecer.
Agora, vamos lá...
Escreva e me ajude a entender porquê as coisas funcionam dessa forma...

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Hiper-realidade

Naquele instante...

O mais improvável aconteceu!
O tempo congelou...
mas eu me movia livremente pelo mundo.
Vendo tudo parado, pensei:
"Será que tudo será assim para sempre?"
Sem saber o que fazer, ou quais seriam as consequências daquilo,
o que me restou foi observar os detalhes...
E pra falar bem a verdade, eu não sei se eu queria fazer algo além disso.
Ficar observando.
A dama que atravessava a rua e passava por mim,
os cachorros passeando, o vendedor de pipocas,
a garoa que tinha começado a 5 minutos...
5 minutos... Nada mais fazia sentido.
E então eu passei uma eternidade naquele momento.
O interessante foi que, por mais que eu observasse, sempre tinha um detalhe a mais.
Uma coisa mínima que me havia escapado ou um detalhe óbvio que eu não notei.
A eternidade acabou sendo pouco.
E quando a minha curiosidade acabou...

...a vida não parou.
A cena continuou, a bela dama passou por mim.
E eu segui,
entendendo tudo dessa vez.

terça-feira, 14 de junho de 2011

O fraco

E essa sua mania de herói?!
Vai acabar com você um dia, pode anotar.
Querendo proteger quem você acha ser mais fraco...
Um dia vai se encontrar no meio de uma armadilha,
e o mais fraco vai ser você.
De mãos dadas com o drama de precisar ser salvo.
E talvez tenha arrogância o suficiente para negar ajuda.

Porquê você não sente medo, como todos os outros?
Se acha tão forte assim?
Já foi fraco, não é mesmo?!
Está tentando compensar agora.
Não te culpo! Muito pelo contrário, te parabenizo!
Poucos são os que conseguem se superar e tomar uma atitude.
E se você conseguiu ser um deles, é digno de honra!

Deixa seu passado onde está.
Ele te fez ser o que é por um simples motivo:
Pra que você fosse o herói que sempre quis que te salvasse.

domingo, 12 de junho de 2011

Eu comemorei...

Fiz uma festa!
Chamei todas as lembranças, até as ruins.
Seria injustiça deixar alguma de fora...
até porquê... elas viram piadas e reflexões.
Fortalecem!
Elas festejaram comigo.
Contaram suas histórias, sorriram, choraram, aproveitaram de verdade!
Se embriagaram, cantaram, se abraçaram e tudo mais... típico!
Aí a festa acabou, pedi educadamente pra que fossem embora.
Uma delas tomou a voz das outras e disse:
"Deixa de ser devagar, Thiago! Nós moramos aqui!"
Aí eu percebi que todo dia é dia de comemorar com as lembranças.
Se embriagar, sorrir, chorar, cantar , contar histórias...
O aniversário dele é a comemoração de um começo.
Ele se foi, mas deixou as lembranças comigo, pra que eu comemore todos os dias!

terça-feira, 24 de maio de 2011

amigo de infância

A solidão é tipo uma amiga de infância.
Daquelas que viviam te atormentando por ser maior que você.
Agora vocês são apenas conhecidos, não se vêem com frequência.
Aliás, só por acidentes ou coincidências.
Não necessariamente "tristes coincidências".
Apenas coincidências.
Ela vai tentar te lembrar de alguma brincadeira que costumava te irritar.
Mas você já aprendeu a lidar com isso,
sai dizendo que tem compromisso ou que vai dormir.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Um segundo de silêncio

Tenta não lembrar...
Não, não... não esqueça!
Mas veja o lado bom...
Está funcionando dessa forma. Então continue.
Como se diz por aí: Para manter a casa limpa, é preciso jogar o lixo fora.
Mas não foi exatamente isso que você fez, você fez melhor!
E de certa forma, não fez nada.
Apenas mudou o ponto de vista e percebeu que tudo depende de você.
Que todas as coisas que você vê por aí, se passam na sua cabeça.
Então pensou "E se eu pensar em tudo dando certo?!
Será que verei as coisas dando certo?!"
Mas a dúvida soou em sua mente como um acorde de violão.
E o som foi ficando cada vez mais baixo, até sumir.
Então você se decidiu!
O silêncio de repente anunciou o começo de uma nova fase.
Não houve estrondo no começo e não haverá no fim.
Mas tenha certeza que de longe você vai me ouvir chegar.
E o silêncio que eu deixar quando partir...
vai ser insuportável!

sábado, 9 de abril de 2011

Cola

Pareciam brinquedos em seu poder, é como se ele conseguisse tocá-las.
Manipulava as palavras como se estivesse usando várias peças de diferentes quebra-cabeças para formar a sua própria paisagem.
Uma paisagem criada a partir de pedaços de outras paisagens.
Coisas obviamente impossíveis, se faziam óbvias.
Absurdos, fantasias, futuros...
Nem mesmo a história lhe escapava.
Ele conseguia fazer tudo parecer uma grande brincadeira.

Usava a lógica como a água usa a natureza.
Primeiro ele enfraquece a paisagem, e então, a partir do terreno mais fraco, limpa e faz seu caminho.
Ou então bota tamanha entonação que as faz ganharem força e virarem enormes ondas.
Ondas que varrem a verdade e quebram até os rochedos mais fortes.
Todos sabem que é mais fácil lidar com a areia do que com a pedra.
Então pega os pedaços e constrói o que lhe convém.
É fácil quando você entende o que deve usar pra fazer suas esculturas.
Se você quer juntar madeira ou papel, você usa cola.
Se quiser juntar palavras ou idéias, você usa a lógica!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Contraste

Agora tudo é perfeito mas e daqui alguns instantes...
Você pode me garantir que tudo continuará assim?
Não!
Pode me dizer que as coisas vão melhorar?
Também não!
Eu sei que pode me dizer quando as coisas vão acontecer,
mas sempre envia o aviso em cima da hora.
Mas isso qualquer um faz, de repente sabemos que algo vai acontecer.
É como se quando apagamos as luzes, viesse um flash!
E o mundo nunca tivesse sido tão claro quanto naquele momento...
Uma memória instantânea.
É o silêncio ensurdecedor que ouvimos antes da explosão.

Sabemos que vai acontecer e já começamos a sentir falta.
O chiado no ouvido anuncia o silêncio quebrado.
A cegueira que a última luz te causa até os seus olhos se acostumarem com o escuro.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Anjo óbvio

Num dia quente de nuvens claras ou na noite fria das estrelas e lua cheia.
É quando você pode encontrá-la... Mas não tente procurar!
Tentar é um esforço vão e desnecessário...
É preciso mais do que os seus enganosos olhos.

Porque?!
Ora, porque?!
Porquê os anjos se disfarçam!
Se aproveitam da imagem que fazemos deles... são espertos.
Não menos belos, mas esqueça a imagem ariana... seria óbvio.
Achou que seria fácil? Eles já aprenderam a se esconder.
Procura nas atitudes e nos feitos de bondade,
ou então na sabedoria celestial.
Quando as palavras perderem a mentira
Quando o preciso se mostrar no óbvio
Então, meu caro, você saberá que está diante um ser superior.
Mas não faça alarde! Guarde!
Assim como ele guarda por você.
Em silêncio.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Cego

O corpo e o sangue quente te dão um breve e intenso prazer.
Mas logo você precisa de mais e mais...
Não percebe no que está se transformando?
Num sangue-suga, num animal vil.
Quer se satisfazer mas nunca está satisfeito.
O que sente ao beber de um fervoroso coração?
"Crueldade" é um eufemismo bondoso para o que você faz!

Será que usa apenas os olhos para enxergar?
Sente apenas com o tato?
Existem infinitas formas de enxergar o mundo e só uma delas usa os olhos.
E você preso nos seus prazeres!
Fecha os olhos por um instante e experimenta o silêncio.
Ouve o que o mundo te conta sem dizer uma palavra.

A carne que te satisfaz é a mesma que alimenta os vermes.
Ela te preenche por algum tempo,
Mas nunca vai te completar.
Se você me perguntar, eu digo que é um teste,
Um teste pra se fazer de olhos fechados.

terça-feira, 15 de março de 2011

Holofote

É...
Eu sei que parecia fácil, mas...
Vai dizer que você achou que iria ser assim?!
Que você decidiu mudar agora e daqui 2 minutos já seria outra pessoa.
Tenha dó!

Foram os velhos métodos que foram te moldando.
Você não virou outra coisa, só descobriu como chamar essa nova forma.
Está fascinado com a sua nova utilidade e toda a atenção.
Não esqueça que é o mesmo de antes.
Pensa que é novo, mas é o mesmo.
Talvez só pense diferente e nem mesmo a forma tenha mudado.
Mas a ilusão é o que te separa dos outros.
Então... o que posso te dizer?!
Te ilude! Brilha!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A libertação da estrela

Ainda lembro dela algumas vezes...
Sou capaz de dizer que ainda não venci o medo de olhar pro céu.
Mas não existe como não lembrar daquele brilho.
De longe não dava pra ter idéia do quanto era magnífico.
Mas de perto ofuscava meus olhos, quase me queimava.
E quando a convidei pra ficar na Terra, ela não quis, teve medo.
Pensou que viria como estrela cadente e sumiria ao tocar o chão.
Tentei tudo que estava a meu alcance.
É óbvio que não consegui fazê-la ficar por aqui.
É uma estrela, e estrelas ficam no céu.
Não podendo trazê-la, desisti.
Desisti por saber que ela não desistiria de mim, mesmo com medo.
Os seres de luz são bondosos demais.
Agora eu corro o mundo pelos trópicos e sigo os dias.
Fiz amizade com o Sol.
Um dia contei a ele minha história e ele disse:
"Não acredite nas estrelas!
Elas só querem te iludir...
se alimentam das suas promessas
e roubam seu sorriso para poderem brilhar.
Toda vez que me ver no céu,
lembre-se que para todas as coisas existem um motivo.
E por já ter sofrido por uma estrela,
Hoje brilho pra não enxergá-las."

domingo, 30 de janeiro de 2011

Mártir

Você caminha em direção aos furacões gritando:
"É o meu destino! É assim que tem que ser!!!"
E os raios que a tempestade traz, parecem desviar de você.
Os destroços que voam com o vento, quase te atingem.
Parece que o próprio mundo já se cansou de ser piedoso.
Trouxe a tormenta dos céus para que te levasse.
Já que a fúria dos homens não conseguiu te parar.
E você, sem hesitar, enfrentou!
De espada e escudo empunhados, caminhou em direção a seu destino.
Como se já soubesse de tudo...

"Por todos os vermes que me desafiaram e
por todos os erros sem arrependimento.
Me declaro um mártir da bravura.
Se o vento veio me buscar e a chuva veio assistir,
não devo recusar um desafio feito a mim.
Me sinto honrado por tê-los como desafiantes.
É o meu destino! É assim que tem que ser!!!"

O vento então te consome e você é tirado do chão.
Perde a base pros golpes da sua lâmina,
mas nem por isso põe o escudo em frente ao rosto.
Se debate na tentativa de vencer a natureza.
Pois se a bravura te fez forte,
talvez ela te também te faça divino.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

o dilema do copo d'água

Prendo a respiração, desligo tudo... e nada.
Fecho os olhos, apago as luzes... e nada.
Nada além dos sons do mundo ou de seus habitantes.
O universo já não te manda mais sinais...
E eu me pergunto:
"Porque?"

É claro que eu sei a resposta.
Ou melhor, as respostas.
A pessimista me diria que eu perdi o dom,
que criei uma carapaça e perdi a sensibilidae.
A realista (aos olhos do mundo),
me faria dizer que era tudo coisa da minha cabeça,
frutos da minha tristeza e da vontade de ser diferente.
Mas a otimista me faria acreditar que ainda tenho o dom,
que sempre tive e nunca perderei.
E que se não vi sinal nenhum é porque estou em tempos de paz
e que não há nada para ser visto.