terça-feira, 23 de novembro de 2010

Por fora

Quando o tempo já castigou o suficiente, e não existe mais pose a ser mantida,
eles surgem em meio aos rostos cansados.
O silêncio da sua força ecoa entre as reclamações e pedidos por coisas melhores.
Deformados, sujos e firmes.
É como se fossem feitos de ferro.
E olhar pra eles passa segurança, nos faz pensar que podemos ser fortes também.
Não digo que somos como eles, mas podemos ser tão fortes quanto.
E a vontade de lutar que existe dentro de cada um se aflora, como se só precisasse de um exemplo.

Por dentro

A primavera nunca foi tão longa.
Eu acho que aprendi a odiar flores.
Eu preciso é de tranquilidade e um pouco de paz.
Mas como eu posso querer isso quando tantos precisam se levantar?!
Ainda não acabou e eu tenho que dar um jeito de mostrar isso a todos.
Como?
Talvez eu não precise demonstrar exatamente força ou ser um herói.
Talvez eu só precise ficar parado e não reclamar.
Porquê eu?! Pode ser qualquer um...
Eu só sei que reclamar não muda o quadro.
Eu só descanso quando tudo estiver bem.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A lenda

Eu gostaria de ser tudo que dizem de mim.
Grandioso, forte, bondoso e belo.
Mas sempre que ouço de meus feitos, percebo que aumentaram muito das histórias.
Isso sem falar nas que inventaram...
Mas eu não tenho coragem de desmentí-las.
Quando me vêem fazendo algo me reconhecem, a descrição dos bardos vai um pouco além dos meus atributos. Mesmo assim alguns reconhecem.
Mas quando estou em meus momentos de paz, passo desapercebido.
É incrível como ninguém sequer me nota. Há até quem me destrate!
Só que se já me viram e nunca corrigiram nada até hoje, quem sou eu para fazê-lo?!
Isso acontece por algum motivo.
Pode ser que quando eu esteja em frente ao perigo, eu cresça e vire isso que todos falam.
Ou esse povo pode estar precisando urgentemente de um herói.
Deixa que digam, acho até bom poder passar desapercebido.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A farsa

Eu digo que são personagens, na esperança de que sejam de verdade.
Faço pensarem que não sou eu e que é tudo inventado.
Mas quem lê percebe, que não dá pra inventar aqueles sentimentos, que eles existem de verdade.
Vai além daquela coisa de poeta que finge o que sente.
Não tem como fingir essas linhas.

O seu mundo é o palco da minha farsa.
Palco das minhas máscaras e minhas mentiras.
Mas eu sou fiel ao papel e vou seguir com ele até o fim.
O meu mundo é feito de palavras e tudo que elas criam.
Eu só precisei esperar uma chance para crescer dentro de uma marionete, um fantoche.
Nossos personagens são o que gostaríamos de ser não é mesmo?!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A máscara de sombra

Você sempre o vê por aí mas nunca repara.
Você acha graça do sorriso, da simpatia, das palavras bem ditas e colocadas...
Mas e os olhos? Você consegue lembrar dos olhos?
Agora que me dei conta disso... eu também nunca consigo lembrar.
Eu conseguiria descrever todo o resto com absoluta certeza e segurança, menos os olhos.
Existe uma sombra que os cobre, é como se sempre estivesse em um ângulo de luz que permitisse isso.
Mas acho que é impossível. Deve ser coisa da nossa cabeça.
Como poderia haver alguém que cconsegue esconder os olhos sempre?!
Quando ele estava triste eu não lembro de ter visto seus olhos vermelhos.
Quando ele tinha sono eu nunca reparei nas olheiras.
Tem algo de errado... Como aconteceria uma coisa dessas?
É como se fosse uma máscara feita de sombra...
Isso só seria possível se ele tivesse uma fonte de luz acima da cabeça.
Uma lâmpada, uma tocha... uma auréola...

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Pausa

Eu sei que não é uma boa mas, olha pra trás por um instante...
Você consegue ver onde começou?
Você acha que dá pra voltar?
Você sabe quando vai chegar?
Não! Não! E não!

O que vai acontecer se você desistir?
Você vai ficar parado, sem destino, no meio de lugar nenhum.
Lembra de todos os problemas que você deixou para trás?!
Eu acho que eles vão te alcançar se você parar...
Que essa pausa não dure muito, que seja um breve descanso.
Todo mundo precisa parar para respirar às vezes, eu te entendo.

Agora olha de novo pra trás, só que leve mais tempo dessa vez...
Consegue enxergar?
Os caminhos tortuosos, o tempo ruim, as pontes quebradas, as pedras, os monstros...
Enxerga tudo de novo e lembra como você se saiu. Lembra do teu sorriso depois de cada obstáculo.

Agora olha pra frente e lembra do que você queria quando começou.
Você não pensava em parar...
Na verdade eu acho que você só quer atenção, porquê eu tenho certeza que você não vai parar.
Você não sabe parar.
E sabe que esse não é fim do caminho e talvez não seja nem mesmo o meio.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

As lágrimas de dez toneladas

Ele segurou enquanto conseguiu.
Foi forte e nem pensou em desistir, ele tinha que segurá-las por enquanto.
No começo não era tão difícil, mas é como uma barragem.
Elas crescem dentro dos seus olhos.

Se alimentam de sentimentos bons, cada uma de uma fonte diferente.
E crescem na mesma proporção dos sentimentos que as alimentam.
Caso a fonte de sentimento seque, elas não tem mais porquê ficar por ali.
Elas tentam fugir, tentam escapar.
Algumas você consegue segurar, outras fogem, mas não vão fazer falta.
Existem aquelas que você até deixa que passem.
Mas outras são gigantes. Que já foram tão alimentadas que já fazem parte de você.
Quando a fonte de alguma dessas seca, você tenta ser forte.
Você não quer que elas fujam, você quase precisa delas.
Elas são muito fortes e para segurá-las você tem que ser mais forte ainda.
Mas as maiores acabam escapando e fazendo um estrago imenso.
Ao cairem no chão você ouve o estrondo de um trovão e elas ardem ao passar pelos olhos.
Mas quem vê não sente a sua dor e nem ouve nada.
O que sai são pequenas gotas salgadas, mas lá dentro elas pesavam toneladas!
Pesadas demais para que se possa segurar sem ir ao chão.
Grandes demais para caberem nas mãos.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Implosão

É sólido, feliz, lindo, magnífico.
Mas dizem ter algo de errado, ninguém sabe...
Dizem que quem chega perto ouve o som de uma ampulheta.
É como se estivesse contando o tempo para que alguma coisa acontecesse.
Mas enquanto parecer forte, o som da ampulheta não será ouvido entre os suspiros admirados.

Mas o tempo é cruel e exigente, ele quer atenção e não quer ser chateado.
E se você o ignora, vira indiscutivelmente uma vítima.
O som da ampulheta dentro do colosso é a areia descendo por entre suas rachaduras,
É a sua estrutura ruindo, o seu interior se fazendo em cascalho.
E o tempo?
Indiferente a qualquer apelo, cínico.
Ele não vai derrubá-lo mais rápido para abreviar qualquer sofrimento.
Ele não vai adiar a queda para que possa ser admirado por mais tempo.
Parar? Fora de questão.

E o som da ampulheta continua, até a areia terminar.
E quando ela terminar, o colosso será apenas o exterior.
Oco, feliz, lindo, magnífico.
Esperando o vento fazer o resto do serviço.

O fim da embriaguês

Esse lugar nunca foi muito bem frequentado, mas sempre teve ordem de certa forma.
É esse silêncio que me incomoda.
Onde está a desordem? A bagunça?
Onde estão as brigas injustificadas e os palavrões?
E as festas que comemoravam as futilidades?
Agora tudo faz tanto sentido... O que será que aconteceu?
Não é a mesma coisa.
Quem não conhece direito, acha a mudança excelente.
E de fato é! Mas você não se preocupa em saber porquê essa mudança aconteceu?
Pra onde vão os órfãos da boemia?
As emoções não se afloram mais.
Nem as boas nem as ruins.
É tudo escondido e discreto, é ridículo.
É como se todos tivessem parado de beber.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Epifania

Era uma vez um rapaz normal.
Ele vivia sem escolher seu estado de espírito, sendo apenas normal.
Um dia então ele pensou: "Vou tentar ser feliz!"
A idéia era ótima no seu ponto de vista, e então ele resolveu começar a tentar.
Mas nem tudo dava certo, e cada vez que ele falhava ele ficava muito triste.
Ele não tinha colocado a tristeza nos seus planos.

Então esse rapaz teve outra idéia: "Serei forte!"
Grande idéia, ele aprenderia como lidar com as situações complicadas da vida e com a tristesa ao mesmo tempo. Então ele poderia voltar a tentar ser feliz.
Mas infelizmente ele foi ficando cada vez mais forte, frio e distante de todo mundo.
Quando percebeu que todos estavam distantes, ele ficou triste novamente.

Ele desistiu de ser forte, resolveu ser sensível.
Excelente atitude, ele seria carinhoso e compreensivo e conseguiria ajudar as pessoas com todos os problemas, ficaria querido novamente entre as pessoas e seria mais fácil ser feliz.
Mas as pessoas não entendiam a sensibilidade, ou então não correspondiam à sua preocupação.
Ele então se entristeceu com as pessoas que não lhe davam atenção.

Foi quando esse rapaz teve uma grande idéia: "Serei corajoso!"
Ele faria o que ninguém teria bravura o suficiente para fazer, enfrentaria os perigos e não mediria esforços pra ajudar as outras pessoas. A gratidão faria com que ele se sentisse bem, e se sentindo bem... ele seria feliz.
Mas o que ele chamava de "coragem" outros chamavam de "loucura". E as pessoas se admiravam mas ninguém dava real valor às atitudes heróicas e nobres do rapaz.

E quando ele percebeu isso, lembrou de quando começou a tentar ser feliz.
Mesmo quando era forte, sentiu medo.
Quando dava atenção aos outros, não teve o resultado esperado.
Mas a coragem lhe tirou o medo. Fez com que ele tentasse cada ato sem saber ao certo o resultado.
Por hora ele até mesmo esquecia que o seu objetivo era a felicidade.
Aí então ele percebeu o que ele precisava pra ser feliz de verdade:
A coragem para tentar e a dúvida do sucesso.
A tristeza está escondida ali no meio, mas tentar desviar dela só o faria demorar mais para atingir o objetivo inicial.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O jogo

Ninguém vai te dizer o que fazer agora.
Podem ter dado palpites por toda a sua vida... mas agora?!
Agora é com você. E ninguém mais.
E estranhamente você não tem dúvida alguma.
Você não tem mapa ou bússola, mas o caminho parece tão claro e óbvio.
Sem roteiro, você não erra nenhum ato.
Sem rumo, todo destino é o certo.
Sem texto, você sempre acerta no que dizer.
E você pensa: “Era tão mais fácil ter algo pra se opor.”
E ao mesmo tempo: “É tão bom comandar o próprio show.”
Mas quando você pensa que tem tudo sob controle, o universo vem e te apresenta um novo jogo.
Regras? Você decide de acordo com o personagem que escolher.
No fim das contas você decide tudo. Enquanto não decide nada.
É você que não tem roteiro, rumo, texto... No exato mesmo jogo de antes.
É você tentando escrever como sempre escreveu, e sem encontrar as palavras.
E o universo? Ele ri por você acreditar nesse blefe ridículo.
Não muda o jogo, mas te faz acreditar que sim. Faz o terror na sua mente.
Te diz que será tudo diferente mudando um pouco da paisagem, mas se você prestar atenção nos detalhes... é a mesma coisa.
É o mesmo jogo.
Mas é aí que você percebe que você nunca soube jogar.
O fato de ninguém nunca ter te avisado que estava errado te faz pensar que estava certo.
Mas você nunca vai saber...

um pouco diferente

-Reclama, moribundo, reclama.
Pois já se forma os motivos, já se foi toda a razão.
Você já não olha torto pra ninguém, não quer mais confusão.
Tá todo mundo te estranhando, você num presta atenção?!
O que pode ter acontecido pra te tirar toda a inspiração?!
Não pode ser tão grave assim, te levanta e tenta a sorte de novo.

-Se eu não levanto é porque não consigo, ou você acha que eu sou desses?!
Eu sou é brigador, valente, forte e corajoso. Mas essa mão eu não levanto mais.
Nem vou procurar mais motivo pra levantar.
Reclamar?
Olha a sua volta, toma a sua birita, pega sua menina e vai pro baile dançar.
Essa mão que antes batia, agora só se ergue pra girar a moça. E mesmo assim, só quando a música mandar.

-Mas o que é isso moribundo?
Me conta o que aconteceu.
Se você não é mais quem era antes, se eu não pergunto também não sou eu.

-Pois não te conto meu amigo, mas agradeço a preocupação.
Só não avisa por aí esse negócio da mão.
Se não vai ter gente por aí querendo tirar vantagem e pensando que eu virei fraco.
Fraco eu era antes, agora eu só to meio machucado.
Assim que eu me recuperar, vou ser mais forte que aço.
Porque agora eu descobri, que fraco é o cara que se machuca por qualquer coisa. Que se incomoda com pouco e quer resolver bobeira com a força.

Corre

Por que você corre?
Aonde quer chegar?

Escolhe uma referência, um ponto, mas não escolhe um destino.
Você sabe que não quer chegar a lugar algum.
Você só quer correr.
Faz o tempo passar mais devagar, ou os lugares passarem mais rápido.
Faz você se distrair enquanto a vida passa.
Faz os problemas ficarem para trás.
Mas você ainda vai parar para descansar, os problemas não.
Então te aconselho, se você começar, não pare.
E também não olhe para trás.
E talvez mais importante do que isso, seja não esquecer por que você começou.
Mas só faça isso quando “enfrentar” não for uma opção.

sábado, 25 de setembro de 2010

Espinhos

Pobre de você se esses olhos te enganam
Pobre de mim.
Tem muita coisa além do que se pode ver
coisas que os olhos não mostram e que o vento não conta
Existe um labirinto vagando em meio às suas palavras
um labirinto que se perdeu na inocência
A ingenuidade cruel e protetora vai te enganar
E depois você vai entender que quando você pensa que o show está no fim
ela ainda está tirando os sapatos.
"Ela vai me enganar de novo"-você pensa.
Mas na cabeça dela é:
"Hoje eu não quero machucar ninguém"
Ela nunca quis. Ela sempre irá.
Enquanto eu tiver mãos, me machucarei na roseira.
Mas só farei isso por que eu ouvi a rosa me chamar.

domingo, 19 de setembro de 2010

Rei do quarto

...
Tenho meu trono na mais alta torre do castelo.
Pois só assim consigo ver todo o meu reino, as terras vão até onde chega a vista.
Sou adorado por onde passo mas mesmo assim tenho inimigos.
São os mais horríveis monstros do submundo, os mais cruéis e asquerosos.
Mas tenho guerreiros que não sabem o que é medo e que nunca perdem uma batalha.
Os magos me ajudam os druidas são bravos e virtuosos.
Meus arqueiros acertariam o olho de uma água em pleno vôo se necessário.
E eu entro em batalha com minha espada de lâmina vermelha e minha armadura de escamas de dragão.
Ao contato com a lâmina os inimigos se desfazem e é como se eles nunca tivessem existido.
Somente os dentes de um dragão conseguiriam me machucar.
Derrotamos os trolls dessa vez e derrotaremos eles e quem mais ousar prejudicar o meu povo.
Voltamos ao reino sem nenhum guerreiro ferido e com a arca do tesouro, que é dividido entre meu povo.
O meu valor é o que não se pode ver, o que o ouro não pode comprar.
...
Então eu guardo os meus brinquedos e vou dormir porque já é tarde.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Beleza cósmica póstuma

"se desmancha, se desfaz
se monta outra vez

é guerra, é paz
é um jogo de xadrez

você não queria mais
mas veja só o que fez"

-Olha pra cima, bem lá no alto você vai ver estrelas.
Estrelas que não existem mais...
Você só as enxerga porque elas estão muito, muito longe.
Essas estrelas podem ter morrido ha muito tempo, mas a luz delas ainda chegam até aqui.
Se elas estivessem perto, já não conseguiríamos vê-las.

-Quer dizer que nós estamos olhando prar uma coisa que não existe mais?
Um tipo de fotografia que fica no céu?

-Sim! Uma fotografia que fica no céu!
Excelente descrição. E assim como uma fotografia, um dia não conseguiremos mais ver as estrelas.

-Mas nós só conseguimos enxergá-las depois que elas morrem?

-Eu não saberia te responder essa pergunta. Eu não sei quanto tempo uma estrela vive.

-E como eu faço pra por uma fotografia no céu?

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O estrago

Se eu penso em você
eu perco tempo
se eu penso em você
eu só lamento
E quando eu me lembro do teu rosto
na hora me vem o gosto
de tua pele na minha boca

Se eu encontro você
penso que estou dormindo
se eu encontro você
tudo parece lindo
Mas acontece que quando lembro teu gosto
me lembro de ter-me posto
a sua total disposição

Quando eu tenho você
não tem mais graça
quando eu tenho você
não sei o que se passa
E quando toco tua boca
sinto uma vontade louca
de gritar um nome qualquer

Aí eu perco você
e não faz sentido
aí eu perco você
porque você me deu ouvidos?
É claro que eu estava louco
Se esperasse mais um pouco
tudo seria diferente

E se eu escolho você
eu posso estar errado
e se eu escolho você
sem nem mesmo olhar pros lados?!
Pode me chamar de cego
eu aceito e não nego
que eu não quero enxergar nada

E quando acaba o drama
eu não sei onde quero estar
e quando acaba o drama
é fácil de me encontrar
Me perderei nos labirintos da cidade
Até que a realidade
seja fácil de se engolir

E eu sigo estragando
e me perdendo em cada esquina
e eu sigo estragando
cada possível rima
E a solidão já virou a minha amiga
pois ha muito me abriga
e me acolhe em suas mãos geladas

domingo, 1 de agosto de 2010

fim de um filme de terror

Você sabe que é de mentira e está bem longe de ser um conto de fadas.
Sente medo, aflição, se assusta.
E aquilo é exatamente o que você procura.
Uma sensação que o cotidiano não te traria.
E você saber que depois de algum tempo aquilo vai acabar, com final feliz ou não, e você voltará pro seu mundo.
Talvez o mundo não seja tão mais seguro que os filmes mas certamente é menos assustador e intenso.
O sangue não é falso, e você nota a diferença entre os gritos de verdade e os dos filmes.
No fim das contas, o que você procura é a sensação do fim dos filmes.
A curta ilusão de que era mentira e que tudo é seguro desse lado da tela.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Água da chuva de primavera // Mitologia Lógica

Os deuses habitavam o imaginário de todos os habitantes tanto de Terra quanto de Mundo.
Só podiam ser consultados quando se tomava a água da chuva da primavera.
A chuva de primavera não era uma chuva qualquer, mas sim a que o deus Amor faz cair naquela estação.
Os outros deuses não eram de acordo com aquilo e achavam que suas influências deveriam continuar de forma subjetiva e praticamente imperceptível. Mas Amor achou que ele deveria dar uma chance àqueles que protegem seus sentimentos e lutariam até o fim por eles. E como era o deus mais poderoso, assim o fez.
A água dessa chuva tem uma cor avermelhada e muitos guardavam para tomá-la em outras épocas do ano.
Poderia se dizer que essa chuva causava alucinações e que os Deuses eram inventados por quem tomava aquela substância tão peculiar que caía das nuvens rosas. Alguns acreditavam e outros não.
E com motivos, pois para poder consultar os sentimentos eles tinham que enfrentar em sua jornada inconsciente o monstruoso Ciclope.
Ciclope era um ser gigantesco que com sua clava e crueldade, testava a força dos sentimentos de quem queria consultar os deuses.
Tinha apenas um olho e com ele enxergava apenas as emoções, não tinha o olho da razão e isso fazia qualquer tentativa de explicação racional ser inútil.
Seus testes serviam para ver até onde o desafiado inconsciente protegeria o que sente.
Caso falhasse, quem bebeu a água acordaria imediatamente sem lembrar de sua experiência.

domingo, 11 de julho de 2010

Pai // Mitologia Lógica

Os sem nome chegavam no vale através de mensageiros que, sabendo da distância, se preparavam para uma grande viagem.
Ao cair da noite, quando todos estavam dormindo, as crianças que não haviam sido batizadas ou teriam um destino ruim eram entregues no Vale e iam direto para o orfanato. Diziam que haviam sido deixadas na porta do mesmo.
A população do Vale Sem Nome (ou Terra) era grande, pois os que cresciam por lá continuavam suas vidas.
Não havia necessidade de uma política no Vale, mas guardas existiam. Nenhum lugar está livre de pessoas de má índole, por mais longa que seja a caminhada pelo deserto.
Era uma cidade normal que lembrava as cidades medievais do universo do leitor.
Com um representante do poder popular que era escolhido pela população e ficava o quanto a população decidisse, de acordo com suas medidas e atitudes.
Vale Sem Nome era um gigantesco oásis no meio do Deserto da Solidão.
Surgiu quando um pai, após ter tido seu filho "mal-batizado" não quis levá-lo ao sacrifício, que era o que se fazia antigamente, e resolveu procurar uma saída menos violenta e mais humana para a situação.
Ele se pôs a caminhar no deserto com sua família, e ele dizia "O universo é engraçado, me dá o nome de Pai e me diz que não posso criar meu filho."
Voltou sozinho ao oráculo após cinco anos para dizer o que tinha encontrado e que aquela era uma solução menos cruel para os "não" ou "mal" batizados.
Pai pereceu no Vale Sem Nome mas conseguiu cumprir o seu destino com maestria.
Essa história é oculta do Vale.
Para quem vive lá, o Vale começou quando viajantes encontraram um lugar para plantar e criar seus animais.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Vale Sem Nome // Mitologia Lógica

A vida por lá era mais tranquila do que parecia.
Quem vivia por lá não sabia o que acontecia do lado de fora.
O Vale ficava no meio do Deserto da Solidão e levava 15 dias de caminhada de Mundo.
Os Sem Nome recebiam outra visão do Mundo. Diziam que não havia vida além dos portões.
Até mesmo deixavam quem quisesse se aventurar e tentar desbravar a vontade para fazê-lo.
Era muito improvável que alguém sobrevivesse nas condições adversas do Deserto por tanto tempo.
Tinham guardas nos portões para eventuais fugas em massa, mas diziam que era para proteger o Vale de um monstro, o Titan da Areia.
O monstro era uma invenção, apenas mais uma lenda sem confirmação naquelas terras.
Até mesmo o nome do Vale era outro para quem morava lá. Eles chamavam o Vale de Terra.
E lá eles tinham suas plantações, suas criações e sua organização. Aquele sistema já funcionava a 3 gerações e era realmente paralelo a Mundo.
Lá os nomes não eram o destino e nem escolhidos por oráculos. Tampouco se ouvia o universo.
Era só o vento que vinha do Oceano Vazio, que ficava depois do Vale.
Era um lugar onde se podia ser o que quiser, bastando apenas ser merecedor, dentro das possibilidades, é claro.

sábado, 3 de julho de 2010

Ajustes

-Pronto Sr. as conexões que ligavam o cérebro ao rosto foram danificadas.
-Ótimo. Agora vamos ver o que mais podemos melhorar...
-Sr. me permita uma pergunta.
-Pois sim.
-Porquê danificar as conexões?
-Ora meu filho, com as conexões danificadas teremos menos expressões, isso fará com que nosso protótipo seja muito mais estável.
-Perdão Sr.?!
-Ele não expressará as emoções que sente, dessa forma, passará mais segurança para os proprietários.
-Mas Sr., ele vai continuar sentindo as emoções, só não as expressará.
-Expressará apenas quando os sinais enviados forem muito fortes. Os sinais fortes irão conseguir passar pelas conexões danificadas. Por isso eu disse para você apenas danificá-las e não eliminá-las.
-Compreendo. Então ele ainda fará o que as pequenas emoções lhe disserem?!
-Sim, sim. Mas sem mostrar a intenção, isso o tornará mais espontâneo.
-Senhor, me permita um comentário.
-Por favor.
-Isso o transformará numa bomba imprevisível.
-Mesmo assim vai ficar bem melhor do que o modelo anterior.
-Sim Sr. O modelo anterior era um dramalhão.
-Muito bem. Agora vamos aos propulsores nos pés...

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Oráculo // Mitologia Lógica

Era quem dava os nomes aos mortais daquelas terras.
O nome não era dado à sua escolha, mas sim do universo.
O Oráculo batisava as crianças de acordo com o destino que ele via em cada uma e o que ouvia do universo, de acordo com o que faria cada uma ser lembrada.
Isso explica o nome do local onde o Oráculo tem que viver: as "Cavernas do Destino".
Era um lugar onde se ouvia sons estranhos que diziam ser os suspiros do universo.
Toda criança nascida naquela parte do Mundo tinha que nascer nas cavernas para ser livre.
Quando isso não acontecia não se conseguiria saber o destino da criança e ela era enviada para o "Vale Sem Nome".
Nesse vale, além de crescerem as crianças não batizadas, viviam aqueles cujos destinos eram considerados muito cruéis pelo Oráculo. Não lhe eram revelados seus nomes para que não tentassem evitar o que foi previsto.
O vale era um lugar onde cada um escolhia seu próprio nome.
Com ou sem destino.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Princesa // Mitologia Lógica

Era um sorriso em meio aos porcos.
Uma sutil mistura entre esperança e arrogância.
Mas quem iria culpá-la? Seu nome a remetia a isto.
Vivia da esperança de conseguir um príncipe ou algo do tipo.
Princesa era bela e tratava a todos bem.
A arrogância surgia apenas quando Esperto estava por perto.
Não fazia sentido um casal entre um membro da nobreza e um "esperto".
Ela até sentia alguma simpatia pelo fracassado rapaz que com suas promessas e propostas, arrancava alguns sorrisos.
Mas os sorrisos eram apenas pela graça e persistência de Esperto.
Não tinha interesse.
Princesa aguardava paciente e feliz seu destino.
Se o oráculo lhe deu este nome, é para que este seja seu destino.

sábado, 26 de junho de 2010

Esperto // Mitologia Lógica

Sempre com pequenas mentiras e aquele sorriso no rosto.
Era simpático, gentil e normalmente era descoberto.
Tinham conhecimento de suas tramóias mas ninguém o julgava mal.
Sabiam de seu bom coração e de sua fraqueza pela donzela chamada Princesa.
Princesa era doce e humilde. Ainda não fazia juz à sua graça, mas sabia que naquelas terras o nome é o destino. Sendo assim, esperava ser uma princesa um dia.
Esperto ainda tentava descobrir o porquê daquele nome pois nenhuma esperteza que ele tentava dava certo. Vez ou outra podia-se ouví-lo dizer: "Eu deveria me chamar Fracasso, pelo menos eu não vivia com esperança alguma".
Mas nem por isso ele deixava de tentar ou sorrir pois fazia parte da religião daquelas terras.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

O expresso

Não estava sempre por lá, mas passava frequentemente para qualquer um que precisasse.
Mas sempre deixavam pra última hora, pro último horário, a última volta.
E eu já me perguntava: "Será que não vai mudar?"
Se acaso um dia resolve mudar sem aviso prévio, como saber qual o último horário?
E se ficasse esperando e esperando, e tenha acontecido alguma coisa?!
E se tivesse encontrado destino melhor?
Uma rota mais curta pra uma cidade mais bonita e mais acolhedora.
Eu nunca vi a placa de destino.
Mas não creio que vá sair dos trilhos, dá pra encontrá-lo facilmente.
Por mais longe que esteja, basta seguir os trilhos.
Há quem diga que o maquinista não o controla...
Então quem o faz? Pra que está lá?
Só para alimentar as fornalhas?
Não faz sentido... Por que alimentar algo que não se pode controlar?
...
Não entendo como ainda embarcam nessa loucura.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Paranóia

É a alma!!!
Eu tenho certeza!!!

Tinha várias formas para fazer isso mas foi decidir a mais óbvia.
Será que é tão ingênua assim?
Ou será que já tinha planejado tudo?
Pensando bem... Não foi tão óbvio assim...
É como se estivesse me ameaçando com várias armas e de repente me entregasse uma caixa de presente.
Como abrir com a certeza de que é uma trégua e não uma bomba?
Eu não teria feito melhor.
Agora estou aqui, pensando se abro ou não o suposto "presente".
Já passei por isso e teve resultados drásticos.
Será que sabia meu ponto fraco e resolveu explorá-lo?
Improvável, mas não impossível.
Eu poderia agradecer, dizer que gostei e dar uma caixa de presentes também.
Sem nem mesmo abrir a minha! Assim ela saberia o terror que vivo!!
Mas...
Será que eu coloco uma bomba ou um presente?!
E se ela for realmente tão ingênua e abrir meu presente sem pensar?!
Se for uma bomba eu vou estragar tudo...
Se for um presente, ela talvez goste, ou ache estranho.
Se achar estranho é porque era uma armadilha, de fato!
Acho que vou retribuir com um futuro e parar de pensar no passado.
Vou abrir meu presente de vez.
Não há de ser nada que eu não dê conta.

terça-feira, 25 de maio de 2010

simpatia na terra da solidão

Olá?!
Tem alguém aí???
Desculpa entrar de repente mas, é que eu vi a porta aberta e pensei que talvez precisasse de ajuda ou alguma coisa.
Você parece estar bem, eu vou indo.
Eu moro do outro lado da rua, se precisar de alguma coisa, basta ler em voz alta o nome escrito na caixa de correios. Sou eu.
Não é muito difícil ser novo por aqui, a vizinhança não é barulhenta e é uma parte bem tranquila da cidade.
Eu realmente não gostaria que ficasse muito tempo por aqui, mas caso fique, será bem vindo.
Ah! Eu quase ia esquecendo de te avisar sobre seus vizinhos...
O da direita sofre de insônia, aconselho usar algodão no ouvido pra dormir, ele gosta de fazer música de madrugada. A não ser que você tenha esse tipo de peculiaridade também.
O da esquerda é escultor, passa as tardes no porão talhando madeira. Um excelente artista!
Ele deixa as obras no jardim, pra falar bem a verdade eu acho que nunca o vi... Nem mesmo colocando nenhuma escultura na frente da casa.
E eu que moro logo em frente.
Eu tenho vários pássaros, e esse seria mais um motivo para o algodão no ouvido. É bonito de se ouvir logo de manhã mas, as vezes nós só queremos dormir um pouco mais.
Outra hora eu passo aqui novamente para explicar sobre o resto do bairro, tenho que alimentar os pássaros...
E uma última coisa... Ninguém aqui gosta de visitas, afinal, é por isso que todos viemos pra cá.
A propósito, você é quem vai visitar o próximo a se mudar e explicar as regras daqui.
Tchau.

sábado, 15 de maio de 2010

Intérprete

Cada coisa, cada gesto, cada defeito, cada efeito...
Tudo com sua devida transcrição.
Eu não faço os poemas, eles já vem feitos, e eu só os traduzo em palavras.
Não sou escritor, sou mais um tradutor.

Não são os ouvidos que escutam, nem os olhos que lêem.
Não existem palavras no que o universo te diz
É apenas fato feito, fato consumado, gesto sem volta...
Mas também pode ser poesia, depende do ponto de "vista"
Digo "vista" pois não é algo que se vê, mas que se sente.
Não vejo as palavras no ar, não as escuto no vento.
Eu sinto e escrevo o que senti, uma interpretação minha
Os poemas ou textos críticos... são apenas coisas que me foram ditas,
não sou autor, não sou escritor
Sou um mero intérprete da linguagem do universo
As poesias vagam por entre a gente
Mas só fazem sentido para quem sabe interpretá-las

domingo, 9 de maio de 2010

Divagante

Vaga com seu violão pela noite
dedilhando belas canções
canções que não precisam de um cantor
canções que quase não precisam sem tocadas
São melodias que a alma percebe
e o corpo sem querer, escuta
são as cordas que flutuam no vento
é o som que sempre esteve na sua cabeça
E ele sabe disso...
Ele sabe o que você quer ouvir
Ele sabe o que você precisa escutar
De cabeça baixa ele segue
tocando a melodia certa
a música que te fará dançar,
flutuar, sorrir, chorar, suspirar...
a música que vai te resolver
E em seu violão está escrito
em letras peroladas e claras:
"Numa poesia sem palavras
não se erra nas rimas"
Por que é por isso que ele vaga
Não para rimar versos e estrofes
Tão pouco para chamar a atenção ou agradar
Ele escuta os versos que sua alma recita
E toca a melodia que pode a acompanhar.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

A moça dos meus sonhos

Ela ri pouco e parece ser bem tímida
Em cada sonho ela tem uma aparência diferente mas...
de alguma forma eu sei que é sempre ela
O sorriso é sempre o mesmo, bem discreto
Usa vestidos de primavera ou casacos de inverno
tem um olhar de outono e não tem verão.
Ela é sempre diferente apesar de metódica
Sempre anda do mesmo jeito, sempre em minha direção
Ela tem o nome que eu nunca lembro, ou esqueço de perguntar.
Também não lembro a voz, apesar de eu ter acabado de acordar.
Sempre educada, sempre indireta
mas como é meu sonho, então eu entendo.
Eu a vi pela rua algumas vezes.
Iguais ao sonho do dia, mas diferentes do dia seguinte.
Queria lembrar o nome, ou pelo menos a voz pra ter certeza.
Pra poder dizer que a inventei ou que a previ.
Não precisaria existir de fato.
Bastaria não fugir toda vez que eu abro os olhos.

sábado, 10 de abril de 2010

Vítima

A verdade amarga ou a doce mentira?
A resposta pode não ser tão lógica ou clara...

"É mentira?
É ilusão?
Não!!! Não pode ser!
O que poderia querer de mim?
O que eu poderia ter a oferecer?
É tolice gostar de ser tratado bem?!
Então me chame de tolo.
Cansado da indiferença, sedi a doces palavras.
Exausto da solidão, aceitei a compania.
Tudo foi por interesse?!
...
Então que assim seja. Afinal, as amizades não surgem por interesse?
Diversão, troca de favores, apoio nas horas difíceis, etc...
Os romances também. Surgem por interesse.
A beleza do troféu, as qualidades, proporções, formas, etc...
Se eu puder pagar o preço, pagarei.
Me chame de vítima se quiser.
Eu escolhi essa situação."

E segue na condição que muitos julgariam anti-ética.
Mas não está cego.
Talvez até esteja enxergando além do óbvio ou do lógico.
A sensação vai fazê-lo justificar tudo.
Já não importa se é real.
Não há nada que se possa fazer.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Autogenese

Era o que ninguém via no "nada"
Sabem que está lá mas ninguém conseguiria provar
Sem forma, sem vida, sem corpo
Vivo? Morto? Ausente? Nada?
E então ele se cansou...

Era a ira que agia sob a resistência que o universo lhe colocava
A vontade de existir!
A pressa de sentir!
A agonia de não ser nada!
Força sem músculo ou teoria.
Pura e inexplicável energia

E então numa batalha contra os elementos:
Um tom crescente anuncia sua vinda,
uma música de uma nota só.
Um toque num diapasão.

"Olha!!! Está quebrando as leis da física,
está desrespeitando as religiões!
Alguém pare a autogenese!"

Eis que ninguém conseguiu parar a vontade de existir daquilo.
Que com a mesma intensidade que surgiu, sumiu.
Não era profano ou divino.
Era um ser. Simples e sem justificativa.
Não se sabe se sentiu alguma coisa.
Mas existiu.
Piscou nos olhos de quem presenciou.
Chorou aos ouvidos de quem ouviu
E quem viu entendeu
que mesmo sendo invisível e incalculável
pode-se sentir e talvez exista
Vago e sem explicação,
mas nem por isso ausente.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

A pedra

É calmo e mal educado
Não se esforça mais, perdeu os princípios
Perdeu as asas, não consegue voar
Não sei como ainda se aguenta em pé
E carregando aquela pedra...
Sempre carregando aquela pedra
Não diz sequer onde está indo
Não quer que ninguém o ajude com o caminho
Bobo, orgulhoso
Se alimenta de distrações
Se sacia com momentos
Deve ter perdido algo muito importante em algum momento
Ou deve ter achado aquela pedra e está procurando a montanha que a perdeu
Ou ainda só queira ficar mais forte
Deve ter muitas ilusões, delírios, pois está sempre a sorrir enquanto ninguém o incomoda
Talvez até mesmo converse com aquela pedra, não subestime a insanidade
Mas quem garante que ele não seja mais feliz do que qualquer outro aqui
Se só o que precisa é de ilusões e algo para apoiar a cabeça
Algo sólido e forte, um travesseiro tão concreto quanto as palavras podem descrever
...
Mas enfim... o que quer que seja aquela pedra
É o que separa aquele sorriso sem sentido nenhum das hipóteses pensantes que faço
Ele responde sem medo... e não o julgam de forma alguma
Aquela pedra...
Talvez eu precise de uma
Uma desculpa pra não seguir regras.

domingo, 14 de março de 2010

Ciclope

Me chame de ogro ou de monstro.
Me chame de tudo menos de incoerente.
Só porque luto pelo que acredito sou um tirano?
Só porque não concordo com você?
Sua arrogância desperta minha ira e eu não sou nada flexível.
Sua ambição vai contra seus sentimentos.
Você precisa sentir um pouco de dor para lembrar por o que vale a pena lutar!
E se você surgir na minha frente cego de ganância, serei eu quem vai te fazer sentir essa dor.
Não pense que eu não gosto de você.
Eu só não consigo ver ninguém fazendo o que sabe que não quer.
Eu não nasci com esse dom.
Tenho a força que as emoções devem ter.
E não tenho razão nenhuma.

segunda-feira, 1 de março de 2010

O deus da indiferença

Escuro, muito escuro.
Frio, congelante.
A agonia da palavra muda.
Ódio titanico, supremo.
Mas se toca, o corpo é quente.
Se esbarrar ouvirá um pedido de desculpas.
Mas não olhe nos olhos se encontrá-los.
Alguns juram que é vivo e tem sentimentos e tudo mais.
Outros ignoram, não enxergariam mesmo se estivesse diante dos olhos.
Deixam passar.
Deixam vagar.
Sem saber que é o melhor e o pior a se fazer.

"O mundo acontece e eu só assisto
É tudo lindo sem que eu toque
Mas se distraído me deixo levar pelas cores
Eu sorrio e perco a discrição
Saio da minha dimensão
Perco a liberdade que me foi dada
Se toco a flor, a mato
Destruo enquanto respiro
Ainda não queimo com os olhos
Mas é só questão de tempo
Até perceberem que eu quase gosto do que sou."