segunda-feira, 12 de julho de 2010

Água da chuva de primavera // Mitologia Lógica

Os deuses habitavam o imaginário de todos os habitantes tanto de Terra quanto de Mundo.
Só podiam ser consultados quando se tomava a água da chuva da primavera.
A chuva de primavera não era uma chuva qualquer, mas sim a que o deus Amor faz cair naquela estação.
Os outros deuses não eram de acordo com aquilo e achavam que suas influências deveriam continuar de forma subjetiva e praticamente imperceptível. Mas Amor achou que ele deveria dar uma chance àqueles que protegem seus sentimentos e lutariam até o fim por eles. E como era o deus mais poderoso, assim o fez.
A água dessa chuva tem uma cor avermelhada e muitos guardavam para tomá-la em outras épocas do ano.
Poderia se dizer que essa chuva causava alucinações e que os Deuses eram inventados por quem tomava aquela substância tão peculiar que caía das nuvens rosas. Alguns acreditavam e outros não.
E com motivos, pois para poder consultar os sentimentos eles tinham que enfrentar em sua jornada inconsciente o monstruoso Ciclope.
Ciclope era um ser gigantesco que com sua clava e crueldade, testava a força dos sentimentos de quem queria consultar os deuses.
Tinha apenas um olho e com ele enxergava apenas as emoções, não tinha o olho da razão e isso fazia qualquer tentativa de explicação racional ser inútil.
Seus testes serviam para ver até onde o desafiado inconsciente protegeria o que sente.
Caso falhasse, quem bebeu a água acordaria imediatamente sem lembrar de sua experiência.

domingo, 11 de julho de 2010

Pai // Mitologia Lógica

Os sem nome chegavam no vale através de mensageiros que, sabendo da distância, se preparavam para uma grande viagem.
Ao cair da noite, quando todos estavam dormindo, as crianças que não haviam sido batizadas ou teriam um destino ruim eram entregues no Vale e iam direto para o orfanato. Diziam que haviam sido deixadas na porta do mesmo.
A população do Vale Sem Nome (ou Terra) era grande, pois os que cresciam por lá continuavam suas vidas.
Não havia necessidade de uma política no Vale, mas guardas existiam. Nenhum lugar está livre de pessoas de má índole, por mais longa que seja a caminhada pelo deserto.
Era uma cidade normal que lembrava as cidades medievais do universo do leitor.
Com um representante do poder popular que era escolhido pela população e ficava o quanto a população decidisse, de acordo com suas medidas e atitudes.
Vale Sem Nome era um gigantesco oásis no meio do Deserto da Solidão.
Surgiu quando um pai, após ter tido seu filho "mal-batizado" não quis levá-lo ao sacrifício, que era o que se fazia antigamente, e resolveu procurar uma saída menos violenta e mais humana para a situação.
Ele se pôs a caminhar no deserto com sua família, e ele dizia "O universo é engraçado, me dá o nome de Pai e me diz que não posso criar meu filho."
Voltou sozinho ao oráculo após cinco anos para dizer o que tinha encontrado e que aquela era uma solução menos cruel para os "não" ou "mal" batizados.
Pai pereceu no Vale Sem Nome mas conseguiu cumprir o seu destino com maestria.
Essa história é oculta do Vale.
Para quem vive lá, o Vale começou quando viajantes encontraram um lugar para plantar e criar seus animais.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Vale Sem Nome // Mitologia Lógica

A vida por lá era mais tranquila do que parecia.
Quem vivia por lá não sabia o que acontecia do lado de fora.
O Vale ficava no meio do Deserto da Solidão e levava 15 dias de caminhada de Mundo.
Os Sem Nome recebiam outra visão do Mundo. Diziam que não havia vida além dos portões.
Até mesmo deixavam quem quisesse se aventurar e tentar desbravar a vontade para fazê-lo.
Era muito improvável que alguém sobrevivesse nas condições adversas do Deserto por tanto tempo.
Tinham guardas nos portões para eventuais fugas em massa, mas diziam que era para proteger o Vale de um monstro, o Titan da Areia.
O monstro era uma invenção, apenas mais uma lenda sem confirmação naquelas terras.
Até mesmo o nome do Vale era outro para quem morava lá. Eles chamavam o Vale de Terra.
E lá eles tinham suas plantações, suas criações e sua organização. Aquele sistema já funcionava a 3 gerações e era realmente paralelo a Mundo.
Lá os nomes não eram o destino e nem escolhidos por oráculos. Tampouco se ouvia o universo.
Era só o vento que vinha do Oceano Vazio, que ficava depois do Vale.
Era um lugar onde se podia ser o que quiser, bastando apenas ser merecedor, dentro das possibilidades, é claro.

sábado, 3 de julho de 2010

Ajustes

-Pronto Sr. as conexões que ligavam o cérebro ao rosto foram danificadas.
-Ótimo. Agora vamos ver o que mais podemos melhorar...
-Sr. me permita uma pergunta.
-Pois sim.
-Porquê danificar as conexões?
-Ora meu filho, com as conexões danificadas teremos menos expressões, isso fará com que nosso protótipo seja muito mais estável.
-Perdão Sr.?!
-Ele não expressará as emoções que sente, dessa forma, passará mais segurança para os proprietários.
-Mas Sr., ele vai continuar sentindo as emoções, só não as expressará.
-Expressará apenas quando os sinais enviados forem muito fortes. Os sinais fortes irão conseguir passar pelas conexões danificadas. Por isso eu disse para você apenas danificá-las e não eliminá-las.
-Compreendo. Então ele ainda fará o que as pequenas emoções lhe disserem?!
-Sim, sim. Mas sem mostrar a intenção, isso o tornará mais espontâneo.
-Senhor, me permita um comentário.
-Por favor.
-Isso o transformará numa bomba imprevisível.
-Mesmo assim vai ficar bem melhor do que o modelo anterior.
-Sim Sr. O modelo anterior era um dramalhão.
-Muito bem. Agora vamos aos propulsores nos pés...