terça-feira, 25 de novembro de 2014

Fantasma

Eu que nunca gostei da sala vazia
Depois de tanto tempo eu me acostumei
Mas eu nunca soube e nem saberia
Entender o quanto eu mudei

Olho pela janela e vejo a vida
que eu já não tenho mais
Quando eu brinco lá fora eu me queimo

Eu pedi
Pedi pra quem eu achei que pudesse me atender
Mas seria egoísmo que o tempo voltasse
pra me satisfazer

E eu abro a janela e destranco as portas
esperando você
depois de tanto tempo vir consertar
minha sala vazia

Todo dia
Eu encontro um cômodo novo
E procuro teu perfume, tua vontade
teus sonhos, tua coragem, teus vestígios

Pra tentar dar sentido à eternidade
e esse espectro frio que eu me tornei
Eu atravesso as paredes procurando o que você esqueceu

As vezes eu recebo visitas
que passam por mim e não parecem me ver
apesar de não tê-las convidado
eu preparo um chá e ligo a TV

E eles saem correndo, gritando, assustados
diante a minha cortesia
Será culpa minha, a minha sala ainda estar vazia?