quinta-feira, 28 de julho de 2011

Fogo

"A brasa que agoniza enquanto se desfaz, te queima sem precisar te tocar."



Depois que surge a fagulha, letra por letra, o fogo se alastra.
Ele precisa de um combustível.
Ele precisa de um meio.
A chama queima por onde pode, pelos tecidos, sentimentos, papéis, lembranças...
E destrói rapidamente o que há de mais frágil e que serve só para beleza:
as roupas, os sapatos, os sorrisos, as cortinas, os olhares, a mobília...
Quando por fim, alimentada por tudo que já consumiu, encontra força para destruir o que te sustenta.
A chama sobe pelos princípios e chega até o teto.
O telhado sucumbe lentamente, há muito para ser queimado.
Suportam os dias quentes, mas não aguentam todo esse fogo.
Então são cinzas, o que já foi um sonho inteiro.
Daquela bela casa, ficou apenas a fundação.
Pronta para ser base de outro sonho...

Em pensar que tudo começou com uma fagulha no lugar errado...

terça-feira, 12 de julho de 2011

Guerreiro

Começou se defendendo, seguindo o instinto.
Se protegeu dos golpes e tentou proteger aqueles que amava.
Ficou forte para que conseguisse passar mais segurança pra quem o via.
Foi ferido.
Os cortes e lesões viraram cicatrizes e sequelas.
Teve que aprender a lutar com as suas limitações.
Se antes tinha medo, hoje é calmo.
Não fica mais nervoso, pois sabe que a fúria cega.
O sangue ferve frio durante um confronto.
E você vê um guerreiro que sabe exatamente porque luta.
E o enxerga como se fosse o corpo todo protegendo o coração.
Se o coração for ferido, o corpo para.
Sem motivação pra continuar.

domingo, 10 de julho de 2011

O meio

Só pode ser isso!
A realidade que eu crio através de planos e imaginação, nunca acontece.
Meus maiores medos também nunca se concretizam.
Quando eu crio algo em minha cabeça, essa coisa não vai pro mundo.
Tanto as tragédias quanto as belas histórias...
Parece que ao serem imaginadas, a carta da possibilidade delas acontecerem é tirada do baralho do destino.
É como se aquilo só precisasse existir uma vez.
Como se só pudesse existir uma vez.
Essa foi a forma que o universo encontrou de equilibrar as coisas.
Nada de gravíssimo acontece, mas as vontades mais intensas nunca se concretizam.
Eu fico preso nessa meia-intensidade, vivendo o que passa pela minha cabeça e eu não dou valor.

Vontade e medo...
Eu diria que são a mesma coisa, se conseguisse.
Eu preciso aprender a driblar isso.

sábado, 9 de julho de 2011

Chamado

Acabou a diversão!
Tentei ser educado mas você fez corpo mole e fingiu que não ouviu.
Quem você pensa que é para me ignorar?!
Eu sou maior que você.
Eu sou mais forte que você.
Eu faço o que eu quiser da sua vida!
Então é bom que você me ouça e volte a escrever melhor do que nunca.
O que acontece se você não fizer isso?!
Não queira nem saber!
Eu, sinceramente, não tenho nada em mente no momento.
Pois não me passa pela cabeça a possibilidade de você me desobedecer.
Agora, vamos lá...
Escreva e me ajude a entender porquê as coisas funcionam dessa forma...