terça-feira, 20 de setembro de 2011

Medo

Quando eu paro pra pensar, era bem fácil...
Sempre tinha alguém pra chamar quando surgia alguma encrenca.
Alguém pra pedir ajuda quando queria algo mais difícil.
Pra alcançar a última prateleira.
Consertar aquele carrinho que eu estraguei sem querer.
Colocar rodinhas na bicicleta.
Pedir dinheiro pra comprar meu violão.
Me buscar na escola nos dias de chuva ou quando eu saía pra encher a cara.
Pra duvidar de mim e depois se encher de orgulho.
Ou duvidar de mim e descobrir que estava certo.
Alguém que não aguentava me ver sem fazer nada.
E não aguentava ficar sem fazer nada!
Que me dava bronca quando passava o dia inteiro na frente do computador.
Aquela pessoa que me mostrou como ser merecedor.
Quem me fez entender que orgulho é maior e menor.
Provou que o trabalho dignifica o homem.
E que de certa forma, sabia que eu não entenderia se ele tentasse me explicar.
Pulou a teoria e se fez exemplo vivo de tudo que eu vi e aprendi.

Ele não me explicou o que era medo.
Mas eu dizia que sentia, pensando saber o que era.
Agora eu sei o que é, mas não vou dizer que sinto.

domingo, 18 de setembro de 2011

Antes de dormir

É um conto de fadas sem magia e sem fada.
Com o final incerto...
Apesar de tudo, é uma boa história pra ser contada antes de dormir.
Uma história longa, que ninguém te diz o final.
Te resta apenas imaginar como irá terminar...
E não adianta você perguntar para alguém, nem tente.
É totalmente diferente para cada um.
Talvez saber de outra história te faça mudar o rumo de sua própria.
Aceita que é diferente.
Começo, meio, fim...

E enquanto ouve, você não liga se é real ou não.
De repente, tudo que importa é a sensação.
A embriagues e a liberdade...
A verdade já não importa mais.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Sintoma

E o pensamento já é quase que onipresente...
Vai por vários caminhos, cogita tudo e tenta planejar algo.

Com a calma de quem entrou em tempos de paz.
Sereno como quem não tem por onde sofrer.
Não que vá procurar algo para se machucar, só não se acostumou com a tranquilidade.
Parece que quando encontrar um espinho ou um caco de vidro,
tirará os sapatos e pisará com força suficiente para que comece a sangrar.
No mínimo a sangrar!
Nem que seja apenas para mostrar quanta dor pode se suportar até que surja uma lágrima.
Para mostrar aos que choram ou reclamam à toa que a vida não acaba com uma dor.
E que uns e outros entendam que conseguimos aguentar o que mandarem e que não existe motivo para desistir.
Há quem veja a dor como algo de errado.
Eu vejo como um sintoma da vida.