Sempre tinha alguém pra chamar quando surgia alguma encrenca.
Alguém pra pedir ajuda quando queria algo mais difícil.
Pra alcançar a última prateleira.
Consertar aquele carrinho que eu estraguei sem querer.
Colocar rodinhas na bicicleta.
Pedir dinheiro pra comprar meu violão.
Me buscar na escola nos dias de chuva ou quando eu saía pra encher a cara.
Pra duvidar de mim e depois se encher de orgulho.
Ou duvidar de mim e descobrir que estava certo.
Alguém que não aguentava me ver sem fazer nada.
E não aguentava ficar sem fazer nada!
Que me dava bronca quando passava o dia inteiro na frente do computador.
Aquela pessoa que me mostrou como ser merecedor.
Quem me fez entender que orgulho é maior e menor.
Provou que o trabalho dignifica o homem.
E que de certa forma, sabia que eu não entenderia se ele tentasse me explicar.
Pulou a teoria e se fez exemplo vivo de tudo que eu vi e aprendi.
Ele não me explicou o que era medo.
Mas eu dizia que sentia, pensando saber o que era.
Agora eu sei o que é, mas não vou dizer que sinto.