Tão forte quanto os trovões que camuflavam sua voz
A princípio quente, a ponto de evaporar algumas gotas d'água
E terminara frio, pras emoções mais tristes.
Assim foi a sua mensagem, dita num fôlego só:
"AAAAAAaaaaahhhhh!!!"
Tão longo quanto se pode suportar.
Quando o ar dos pulmões acabou, gritara com as víceras.
Quando as víceras acabaram, foi a vez do espírito.
Para muitos era só um berro em baixo de chuva,
coisa de doido varrido.
Mas para ele era o semear de suas emoções.
E assim foi...
O grito em meio a tempestade foi ouvido por onde ela passou,
levado pelo vento que guiava a chuva.
Algumas gotas ainda eram quentes, outras eram gelo puro.
Ao tocar a pele a sensação era estranha.
E essa sensação do tato misturada ao som de uma alma se retorcendo
fazia com que se sentisse o que o "poeta barulhento" quis dizer.
E logo vinha um arrepio causado pela compreensão.
Mas só sentiu isso quem ousou caminhar pela chuva.
O que aconteceu com o rapaz depois do grito?
Evanesceu... virou parte da própria poesia.
Virou gota de chuva, sopro de vento, clarão de temporal.
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