"Não, meu senhor. Eu não gosto do que faço.
Mas infelizmente é o que faço de melhor.
Não vou dizer que "simplismente acontece", seria mentira.
É como se fosse o meu mundo... Vejo várias obras alheias e elas não são como as minhas.
Vejo imperfeições nas que são forjadas, e fico me perguntando:
"Será que nunca viram uma de verdade???"
Se for fazer tem que prestar atenção nos detalhes. Cada mínimo detalhe.
Para mim os detalhes são mais importantes do que a conclusão. Pode-se mudar a conclusão através dos detalhes.
Porquê é exatamente isso que eu faço. Faço mentiras parecerem verdades.
Mais do que isso!
Faço mentiras se transformarem em verdade.
Atos se transformarem em acontecimentos.
Idéias virarem presente.
Objetivos virarem posse.
Porquê eu não gosto?
Porque eu sei o que faço. Simplismente por isso.
Pensa um pouco... É mais interessante o processo de conhecer uma pessoa, ou saber tudo sobre essa mesma pessoa?
O processo é envolvente, sedutor e interessantíssimo.
A especulação, o palpite, os segredos.
É tudo uma grande aventura.
Mas aí você conhece... e de repente perde a graça, simplismente.
Eu sou quem faz o processo reverso. Pego algo sem graça e faço virar algo sedutor e interessante.
Para os outros é interessante e verdadeiro.
Para mim é mentira sem graça.
Você gostaria de não ver a graça das coisas?"
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