Depois que surge a fagulha, letra por letra, o fogo se alastra.
Ele precisa de um combustível.
Ele precisa de um meio.
A chama queima por onde pode, pelos tecidos, sentimentos, papéis, lembranças...
E destrói rapidamente o que há de mais frágil e que serve só para beleza:
as roupas, os sapatos, os sorrisos, as cortinas, os olhares, a mobília...
Quando por fim, alimentada por tudo que já consumiu, encontra força para destruir o que te sustenta.
A chama sobe pelos princípios e chega até o teto.
O telhado sucumbe lentamente, há muito para ser queimado.
Suportam os dias quentes, mas não aguentam todo esse fogo.
Então são cinzas, o que já foi um sonho inteiro.
Daquela bela casa, ficou apenas a fundação.
Pronta para ser base de outro sonho...
Em pensar que tudo começou com uma fagulha no lugar errado...
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