-Se abrir talvez te ajude meu rapaz. Disse o dono do bar.
-Ajuda é pra quem tem esperança, mas agradeço a preocupação.
-Só quero que se recomponha e pague a conta, não pense que é o primeiro a se debruçar neste balcão. Já ouvi tantas histórias, de tantos pontos de vista. Quem escolhe o balcão às mesas é porque quer ser ouvido.
-Peço para que não me trate como mais um desgraçado que se perdeu entre os frutos da noite. Não estou aqui para esquecer ou comemorar. Estou aqui por conveniência e talvez eu precise mesmo de alguém para me escutar.
-Mas...?
-Mas o que?
-Nada não. Vou escutá-lo.
Então ele pega um pouco de café de sua própria garrafa térmica, bota uma dose extra de açúcar e entrega ao rapaz dizendo: "Um pouco mais de veneno, mas não apague nenhum cigarro dessa vez."
-Obrigado. A minha história é a seguinte...
Então o rapaz contou sua saga ao dono do bar. Resumiu e ignorou alguns fatos. Para o ouvinte não importava muito.
"Sem dúvida nenhuma é só mais um desgraçado... guardarei meus conselhos pro final. Vou começar a separá-los por categorias." Pensa o vendedor.
-Com certeza não é a pior que já ouvi... mas não quer dizer que seja bom para você.
-Me trata como um bêbado qualquer quando nem toquei na bebida.
-Se bêbado estivesse, não se importaria com isso. Mas prefere tomar o que tras pro mundo e queimar o ar que respira. Se afasta do que te enfraquece, se aproxima da loucura. Amanhã será sede e dor de cabeça, te garanto que é melhor do que qualquer dessas dores que sente.
-Quem é você para saber o que é melhor para mim? Um dono de bar que vive da mágoa alheia?
-Você me pediu veneno, e veneno te dei. Duvido algo te matar tão lenta e dolorosamente quanto o que te deixa acordado até o último instante.
-Era só café!
-Aceita meu conselho. Minha indiferença não é deboche e a sua dor também não é minha.
-Você só ouve o que quer não é mesmo, velho? Mero dono de espelunca.
-Enquanto existirem mágoas e alegrias, meu jovem, existirão bares. O café é por minha conta.
O jovem sem saber muito bem o que sentir se vê entre a ira da indiferença e o respeito da serenidade.
Toma mais um gole do muito doce café, acende mais um cigarro e pergunta:
-Qual seu melhor whisky?
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Um comentário:
Olá
Antes de mais nada, desculpa a demora!
Vamos ao comentário: o que mais me chamou a atenção foi a maneira de contar o mesmo instante sobre pontos de vista diferentes...vc tm a mesma cena vista pelo dono do bar e pelo, digamos, "consumidor" das bebidas...é como algo cinematográfico, narradores diferentes e ângulos diversos, bem legal...
Qnto ao diálogo, eh o resultado que a gnt tm depois de sair da mente de cada um, a interação. Agora, o café foi o melhor...veneno...huahauahuahuahua
Eh isso, talvez devesse ter "polido" mais a minha interpretação..xD
Bjo, premo
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