sábado, 26 de setembro de 2009

O desgraçado

Peço doses e mais doses, uma de cada sabor
umas com gelo, outras não,
uma de cada cor...
As que são servidas geladas, com o tempo esquentam e perdem a graça.
As que são servidas quentes, com o tempo esfriam e perdem a graça.
A mensagem é: seja rápido, pois o que é bom no começo acaba perdendo a graça.
Mas as cores não mudam... nem mesmo suave transparência que te permite enxergar através do copo.
As borbulhas, o gelo derretendo, o suor ao redor do copo, o suor das suas mãos.
Uma tragada e um pensamento vago...
Uma tragada e um pensamento vago...
Uma tragada e um pensamento vago...
...
Me pego tragando o filtro
Apago o cigarro em uma bebida qualquer que deixei de tomar
Depois de feito, senti irresistível vontade de provar tal bebida...
Horrível sensação.
O que me deu prazer e me acalmou, agora tem gosto horrível.
Mudou a cor da bebida, adicionou uns flocos negros e a deixou turva.
"Peça algo que queira tomar..."
ouço como se saísse da minha própria cabeça
Educada e calmamente replico: "Me traga um veneno escuro e doce."
Meio cigarro depois, tenho a frente meu pedido.
Se doce, não sei.
Apago o cigarro no copo.
Tomo a bebida escura.
Não é tão ruim assim.

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